007 – Na Fila da Aposentadoria

texto escrito por GUILHERME TOMASI

Esta semana, sabe-se lá porque, Pierce Brosnan (para mim o segundo melhor 007) anunciou que está se despedindo de vez da franquia James Bond – 007. Alguns “analistas” de marketing dizem que Brosnan está fazendo isso para uma possível renegociação salarial e criativa, significando que ele teria poderes sobre roteiro, casting e até possível diretor. Brosnan já declarou várias vezes que a franquia precisa ser revitalizada novamente (algo já feito no início dos anos 90 quando ele subiu a bordo em “Goldeneye”) e que Quentin Tarantino seria uma escolha adequada para isso. Os produtores já declararam que Tarantino é “americano” demais e o descartaram, deixando Brosnan mais uma vez insatisfeito. Como fã da franquia, eu ficaria extremamente triste com essa notícia da “saída” de Brosnan, mas na verdade eu não tenho mais motivos pra isso. E o nome dele é Bourne, Jason Bourne.

“The Bourne Supremacy”, o segundo filme baseado nos livros de Robert Lundlum sobre um espião com amnésia que luta para se lembrar de qualquer coisa do seu passado, é uma grata surpresa para quem aprecia filmes de espionagem como “O Documento Holcroft”, “O Buraco da Agulha” entre outros.

O diretor é Paul Greengrass que utiliza da mesma técnica de câmeras de mão que usou em “Domingo Sangrento” para impregnar durante todo o filme um ritmo nervoso. É um efeito incômodo, mas depois de certo tempo dá pra se acostumar.



Matt Damon continua se saindo bem como Bourne. Quando seu casting foi anunciado no primeiro filme, eu realmente duvidava que ele pudesse ser uma boa opção para um filme de ação, mas muitos falavam a mesma coisa de Keanu Reeves quando foi escalado para “Speed” (se não fosse por esse mesmo filme, Reeves nunca teria se tornado Neo). Interessante é que para mim não há diferença alguma entre a interpretação de Damon entre os dois filmes (diferente de Anthony Hopkins em “O Silêncio dos Inocentes” e “Hannibal”, grande culpa disso é de Ridley Scott). Ele continua sendo a mesma pessoa descrita nos livros de Lundlum: alguém que foi excepcionalmente treinado nas artes da espionagem, mas pode simplesmente desaparecer na multidão. Depois de ler o primeiro livro, “A Identidade Bourne” (que por sinal não tem quase nada a ver com o filme assim como o segundo livro), eu pude entender o porquê do casting de Damon: ele é uma pessoa aparentemente normal, assim como Bruce Willis em “Duro de Matar”, você passaria por ele na rua e nem o notaria.

Não posso me esquecer dos coadjuvantes, que diferente dos filmes da franquia 007 não estão lá somente de enfeite e sim para dar certa sustentação à trama (meu segundo erro de julgamento quanto aos filmes da franquia Bourne foi achar que a excelente Joan Allen nunca seria uma boa escolha para o seu papel, que na verdade é).

Eu não queria dizer adeus à franquia 007. É claro que ela nunca acabará. Mas o problema é que as coisas boas não devem durar a vida toda. Provavelmente o próximo intérprete será anunciado (meu cumpadre já sabe que as minhas apostas estão em Clive Owen). Espero que ela não se torne o que era nos anos 70, uma paródia. James Bond não é uma caricatura, por mais que eu adore o cinismo de Sean Connery ou o sarcasmo de Pierce Brosnan. James Bond é um espião da classe 00, ele tem permissão para matar, algo que nunca deveria ser tratado como uma qualidade, e sim como um peso muito grande, afinal de contas não pode ser punido por assassinar alguém, tendo sempre o MI-6 por detrás de seus atos. Algo que Bourne não tem, ele é um renegado, uma peça defeituosa. Mas assim como eu não quero dar adeus à franquia 007, eu tenho o imenso prazer de conhecer a franquia Bourne.

E que venha “The Bourne Ultimatum”!

Só espero que um dia Bourne não viaje a uma estação espacial onde usará uma arma de raios-laser…

P.S.: E ainda me perguntam porque eu não gosto dos anos 70.

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