"Os Infiltrados": Tio Marty

Todo mundo tem um tio como o tio Marty. Ele é querido, talentoso, sabe contar casos. Todos o adoram. Mas você sempre sentiu que ele não recebeu o crédito que realmente merecia. No caso do tio Marty, ele merece um Oscar. Tomara que “Os Infiltrados” venha a corrigir essa injustiça.

Não se pode chamar “Os Infiltrados” de remake do ótimo “Infernal Affairs” (“Conflitos Internos” no Brasil). É mais uma re-imaginação. É um dos poucos casos onde a famosa frase de Machado de Assis funciona bem: “Quem conta um conto aumenta um ponto”. Tem o toque pessoal de Scorsese, onde você reconhece que esse não é um filme comum. O roteiro de William Monahan também ajuda bastante, distribuindo as falas com generosidade entre todos os atores. Ah, também tem o fato de contar com Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Alec Baldwin, Martin Sheen, Ray Winstone e Marky Mark.



Nicholson, pela primeira vez em vários anos, não interpreta ele mesmo interpretando um papel. Ele simplesmente se transforma em Frank Costello, uma figura tão ameaçadora quanto Max Cady em “Cabo do Medo”. DiCaprio e Damon estão bem, o segundo um pouco à frente do primeiro. Eu ainda acho que, se tivessem invertido os personagens, algo de mais interessante sairia.

Outro ponto em consideração é a montagem de Thelma Schoonmaker, parceira habitual de Scorsese desde “Touro Indomável”. É bom ver que, na onda dos cortes rápidos (e sabe-se lá o que mais Tony Scott anda inventando pra tentar causar um ataque epiléptico no público), ainda existem montadores que sabem usar as ilhas de edição para ajudar na narrativa do filme, e não esconder as falhas de diretores ruins.

A trilha sonora também colabora muito. Scorsese usa desde “Gimme Shelter”, dos Stones, para enfatizar a época (além de ser subjetiva à cena em que ela toca), até “I’m Shipping Up To Boston”, do Dropkick Murphys, para enfatizar as raízes dos personagens.

Vamos torcer para o tio Marty. Que seja dessa vez que ele leve um Oscar para casa.

Os Infiltrados (The Departed, 2006, EUA), dir.: Martin Scorsese – 10 de novembro nos cinemas brasileiros.

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