A Última Cartada

É uma viagem. Parece uma história em quadrinhos misturada com LSD.

Até certo ponto se parece um pouco com “Snatch – Porcos e Diamantes”, de Guy Ritchie. A apresentação dos personagens, a fotografia, o senso de humor. Mas aos poucos vai adquirindo identidade própria. Carnahan é um diretor promissor, já sabiamos por “Narc”, seu filme anterior (se não contarmos com o curta feito para a BMW Films). A demora na realização de um segundo filme é explicada pelo fato de que Carnahan perdeu alguns anos de sua carreira planejando “Missão: Impossível III” para Tom Cruise. Cruise nunca iria deixar Carnahan utilizar sua criatividade para um filme tão comercial, se “A Última Cartada” servir de comparação, é claro. Infelizmente a perda é do saltador de sofás (para falar a verdade eu acho que a perda é mais nossa mesmo).



Utilizando-se de um elenco bem estrelado, sendo que a grande maioria só faz pequenas pontas, “A Última Cartada” consegue estabelecer um certo grau de tensão através de cada um dos assassinos profissionais que estão correndo atrás do grande prêmio posto pela cabeça de um informante do FBI, recluso à suite-cobertura de um hotel-cassino em Lake Tahoe, cercado de seguranças. O leque de personagens é muito grande, muitos deles bidimensionais, um dos poucos defeitos do filme (cada um dos matadores precisaria de um filme à parte).

Mas Carnahan consegue, através de um roteiro frenético e promovendo, por meio da antecipação, a tensão em cada conflito pré-concebido, confeccionar uma colcha de retalhos cujo resultado é até um pouco inesperado.

Vale uma ida ao cinema.

A Última Cartada (Smokin’ Aces, 2006, EUA), dir.: Joe Carnahan – em cartaz nos cinemas

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