O Silêncio de Lorna

Donos de um estilo inconfundível, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne fazem em “O Silêncio de Lorna” um trabalho menor e mais acessível, mas ainda assim forte e autêntico.

Os cineastas retornam a temas de seus filmes anteriores, especialmente os dilemas que envolvem a paternidade/maternidade, utilizam uma fotografia crua, prezam por atuações as mais instintivas possíveis, e contam até com ponta de Olivier Gourmet (ator premiado em Cannes por “O Filho” e figura carimbada na carreira da dupla desde “A Promessa”). Portanto, não há dúvidas de que este é um filme dos Dardenne.



A protagonista volta a ser uma mulher, algo que não ocorria desde “Rosetta”. Lorna (vivida por Arta Dobroshi, que carrega uma semelhança espantosa com Ellen Page) é uma jovem imigrante que consegue cidadania belga por meio de um casamento forjado com um viciado em drogas, Claudy (Jérémie Renier, de “A Criança”). Apaixonada por outro homem, ela tenta conseguir o divórcio para poder levar sua vida normalmente ao lado do namorado. E o que o espectador acompanha são as tentativas dela de se desvencilhar do marido, o que não se revela tarefa fácil. Afinal, se casamento já é considerado uma enrascada por muitos, imagine então se a máfia russa estiver envolvida.

“O Silêncio de Lorna” segue mais de perto “A Criança”, já que a personagem principal também se envolve numa situação ilícita e confinante. A diferença é que a protagonista se torna passiva nas mãos dos eventos, por mais que tente tomar as rédeas da situação. É aí onde o drama insurge do desespero que brota da incapacidade de se agir diante de uma possibilidade amoral – um outro tema trabalhado pelos Dardenne com recorrência, só que de forma mais sutil nos filmes anteriores (o que fica evidenciado, aqui, nos momentos finais).

Na forma, este novo longa dos irmãos também perde um pouco do estilo, já que eles utilizam bem menos os planos-seqüências que se tornaram a assinatura de sua obra. Mesmo com mais cortes, as cenas são elegantes e continuam surpreendendo pela beleza, uma vez que se trata de uma filmagem em busca constante por um naturalismo estético.

nota: 7/10 — vale o ingresso

O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna, 2008, Bélgica/França/Itália/Alemanha)
direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne; com: Arta Dobroshi, Jérémie Renier, Fabrizio Rongione, Alban Ukaj, Morgan Marinne, Olivier Gourmet, Anton Yakovlev; roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne; produção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Denis Freyd; fotografia: Alain Marcoen; montagem: Marie-Hélène Dozo; estúdio: Les Films du Fleuve; distribuição: Imovision. 105 min
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