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Os indicados ao Oscar 2022 e as apostas, números, recordes e curiosidades

Os indicados ao Oscar 2022 foram anunciados no último dia 8 de fevereiro pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (confira aqui a lista completa). A cerimônia de premiação está agendada para acontecer na noite de 27 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles, com transmissão ao vivo pela TV e pelo streaming. Aqui você confere apostas, números, curiosidades e marcas importantes obtidas pelos filmes, atores, atrizes, cineastas e demais profissionais que concorrem à 94ª edição do prêmio.

Favorita

O filme “Ataque dos Cães” lidera a lista com 12 indicações e é apontado como favorito a ser o grande vencedor deste ano. Dirigido pela cineasta neozelandesa Jane Campion e disponível na Netflix, o longa-metragem é situado nos anos 1920, em Montana, no velho oeste dos Estados Unidos, e tem como protagonista um vaqueiro que guarda um segredo sobre seu passado.

Baseado no livro de Thomas Savage, publicado em 1967, “Ataque dos Cães” concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Design de Produção, Som e Trilha Sonora Original. Todo o elenco principal também foi indicado: Benedict Cumberbatch como Melhor Ator, Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee como Melhores Atores Coadjuvantes, e Kirsten Dunst como Melhor Atriz Coadjuvante.



Uma marca histórica importante de “Ataque dos Cães” no Oscar é que esta é a primeira vez, em 94 anos de premiação, que uma mulher recebe sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Direção. Ao todo, a categoria só teve sete mulheres indicadas até hoje. Jane Campion havia concorrido ao prêmio antes pelo clássico “O Piano”, em 1994, filme pelo qual ela também se tornou a primeira mulher vencedora da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Campion é apontada como franca favorita a ganhar o Oscar este ano, o que fará dela a terceira mulher a vencer a estatueta. As outras são Chlóe Zhao por “Nomadland”, no ano passado, e Kathryn Bigelow por “Guerra ao Terror”, em 2010. Além disso, ela ainda tem boas chances de ganhar os prêmios de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme, já que também é produtora de “Ataque dos Cães”. O único Oscar vencido por Campion até o momento é o de Melhor Roteiro Original por “O Piano”.

Ranking

No segundo lugar da lista dos indicados ao Oscar 2022 aparece a ficção científica “Duna”. A superprodução concorre a 10 estatuetas: Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Figurino, Som, Trilha Sonora, Design de Produção, Efeitos Visuais e Maquiagem e Cabelo. Disponível na plataforma HBO Max, “Duna” é baseado no clássico literário de Frank Herbert e tem direção de Denis Villeneuve, que acabou ficando de fora da lista de diretores indicados este ano.

"Duna" (Dune, 2021), de Denis Villeneuve - Divulgação
“Duna” (Dune, 2021), de Denis Villeneuve – Divulgação

Outros filmes que se destacam entre as indicações ao Oscar 2022 pelos números são o drama “Belfast”, dirigido por Kenneth Branagh, com sete indicações; a refilmagem do musical “Amor, Sublime Amor”, dirigida por Steven Spielberg, também com sete indicações; o drama esportivo “King Richard: Criando Campeãs”, estrelado por Will Smith, com seis indicações; a sátira social “Não Olhe Para Cima”, estrelada por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, com quatro indicações; o suspense policial “O Beco do Pesadelo”, dirigido por Guillermo del Toro, também com quatro indicações;  e a produção japonesa “Drive My Car”, dirigida por Ryusuke Hamaguchi, com quatro indicações — um recorde para o Japão.

Estrangeiros

“Drive My Car”, aliás, concorre como Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. O longa é apenas o sétimo na história do Oscar a receber este duplo reconhecimento. Antes dele, também foram indicados às duas estatuetas: “Parasita” (Coreia do Sul, vencedor de ambas, em 2020), “Roma” (México, vencedor como Filme em Língua Estrangeira, em 2019), “Amor” (Áustria, vencedor como Filme em Língua Estrangeira, em 2013), “O Tigre e o Dragão” (Taiwan, vencedor como Filme em Língua Estrangeira, em 2000), “A Vida é Bela” (Itália, vencedor como Filme em Língua Estrangeira, em 1999) e “Z” (Algéria, vencedor como Filme em Língua Estrangeira, em 1970).

Este ano, também foram indicados ao Oscar 2022 de Melhor Filme Internacional: “A Mão de Deus”, da Itália; “A Pior Pessoa do Mundo”, da Noruega; “A Felicidade das Pequenas Coisas”, marcando a primeira indicação de um filme realizado no Butão; e outro grande destaque, a animação “Flee”, da Dinamarca, que também concorre às estatuetas de Melhor Animação e Melhor Documentário — um feito inédito.

"Flee" (2021), de Jonas Poher Rasmussen - Divulgação
“Flee” (2021), de Jonas Poher Rasmussen – Divulgação

Dirigido por Jonas Poher Rasmussen, “Flee” concorre nas três categorias porque utiliza a animação para resguardar a identidade de seu protagonista, um refugiado afegão homossexual que vive na Dinamarca. O filme venceu Sundance como Melhor Documentário e ganhou o prêmio principal do Festival de Animação de Annecy. No Oscar, é esperado que vença pelo menos uma das três estatuetas, sendo que tem mais chances como Animação, embora tenha a forte concorrência das produções da Disney, em especial “Encanto”. Já entre os documentários, “Summer of Soul” é apontado como favorito.

Estrelas

Falando agora das categorias de atuação, concorrem ao Oscar de Melhor Atriz: Jessica Chastain por “Os Olhos de Tammy Faye”, Kristen Stewart, por viver a Princesa Diana em “Spencer”, Nicole Kidman, que interpreta a atriz Lucille Ball em “Apresentando os Ricardos”, Olivia Colman por “A Filha Perdida” e Penélope Cruz por “Mães Paralelas”. Olivia Colman, que já foi premiada por “A Favorita”, é apontada como provável vencedora do seu segundo Oscar.

Cabe notar que nenhuma atriz negra foi indicada este ano. Historicamente, a categoria é uma das menos diversas na questão racial, tendo apenas sete atrizes não brancas indicadas na última década. Apesar da forte concorrência nesta edição, as apostas tinham Jenifer Hudson como uma das mais cotadas para concorrer à estatueta, por interpretar Aretha Franklin na cinebiografia “Respect”. A última atriz negra a vencer o Oscar como protagonista foi Halle Berry por “A Última Ceia”, exatamente 20 anos atrás.

Já na categoria Melhor Ator, os indicados ao Oscar 2022: o Homem-Aranha Andrew Garfield pelo musical “Tick, Tick… Boom!”, Javier Bardem por “Apresentando os Ricardos”, Denzel Washington por “A Tragédia de Macbeth”, além de Benedict Kumberbatch por “Ataque dos Cães” e Will Smith por “King Richard” — ele que interpreta Richard Williams, pai e treinador das tenistas Venus e Serena Williams. Smith é agora a nona pessoa e o segundo homem negro a ser indicado a Melhor Ator e Melhor Filme no mesmo ano, já que ele é um dos produtores de “King Richard”.

A Tragédia de Macbeth (The Tragedy of Macbeth, 2021), de Joel Coen - Divulgação
A Tragédia de Macbeth (The Tragedy of Macbeth, 2021), de Joel Coen – Divulgação

O favorito a ganhar é Kumberbatch, mas vale destacar aqui a presença de Denzel Washington, que recebeu sua nona indicação (a sétima como protagonista) e continua a ser o ator negro mais indicado na história do Oscar. Ele venceu duas vezes: em 2002, por “Dia de Treinamento” e em 1990, como coadjuvante por “Tempo de Glória”.

Entre os atores coadjuvantes indicados, o destaque é sem dúvida Troy Kotsur, de “No Ritmo do Coração”, que se torna o primeiro homem surdo a concorrer a um Oscar de atuação. Aos 53 anos, ele curiosamente atua no filme (um remake em inglês do sucesso francês “A Família Bélier”) ao lado de Marlee Matlin, a primeira atriz surda indicada e vencedora do Oscar. Ela ganhou em 1987 por “Filhos do Silêncio”.

Ainda entre os atores e atrizes, além de Kotsur, oito receberam suas primeiras indicações ao Oscar: Ariana DeBose (“Amor, Sublime Amor”), Kristen Stewart (“Spencer”), Kirsten Dunst (“Ataque dos Cães”), Aunjanue Ellis (“King Richard”), Ciarán Hinds (“Belfast”), Jesse Plemons (“Ataque dos Cães”) e Kodi Smit-McPhee (“Ataque dos Cães”).

"Spencer" (2021), de Pablo Larraín - Divulgação
“Spencer” (2021), de Pablo Larraín – Divulgação

Cabe ressaltar ainda que Ariana DeBose e Kristen Stewart são as únicas indicadas deste ano que se afirmam abertamente como LGBTQIA+. DeBose se identifica como queer, enquanto Stewart é bissexual. A primeira e única vencedora até hoje é Jodie Foster: a atriz lésbica ganhou o Oscar por “Acusados”, em 1989, e “O Silêncio dos Inocentes”, em 1992. Kevin Spacey, que se pronunciou como homem gay em 2017, ganhou em 2000 por “Beleza Americana”. Já Marlon Brando, que se assumia bissexual, venceu por “Sindicato dos Ladrões”, em 1955, e “O Poderoso Chefão”, em 1973.

Música

Também tem estreia na categoria Melhor Canção Original: Beyoncé conquistou sua primeira indicação ao Oscar pela música “Be Alive”, tema de “King Richard: Criando Campeãs”. Ela divide a nomeação com o compositor DIXSON.

A cantora Billie Eilish também foi indicada pela primeira vez, com a música “No Time do Die”, de “007: Sem Tempo Para Morrer” (também composta por Finneas O’Connell), assim como o veterano músico britânico Van Morrison, autor de “Down to Joy”, canção de “Belfast”.

Caso “No Time do Die” ganhe o Oscar, será a terceira vitória seguida de uma música-tema de James Bond, depois de “Skyfall”, de Adele, em “007 – Operação Skyfall” (2012), e “Writing’s on the Wall”, de Sam Smith, tema de “007 Contra Spectre” (2015).

Billie Eilish - Divulgação
Billie Eilish – Divulgação

Com o drama “Quatro Dias com Ela”, a cantora Diane Warren conquistou sua 13ª indicação ao Oscar de Melhor Canção Original, por “Somehow You Do”. É o quinto ano consecutivo em que ela concorre, porém, a artista nunca venceu.

No Oscar de Melhor Trilha Sonora, Hans Zimmer recebeu sua 12ª indicação, por “Duna”. O experiente compositor ganhou a estatueta apenas uma vez: em 1995, por “O Rei Leão”.

A única estreante nesta categoria é Germaine Franco, por “Encanto”. Primeira latina a integrar o quadro de compositores membros da Academia, ela é apenas a décima mulher na história do Oscar indicada a um prêmio de música instrumental. Apenas quatro venceram: Marilyn Bergman por “Yentl”, em 1984; Rachel Portman por “Emma”, em 1997; Anne Dudley por “Ou Tudo Ou Nada”, em 1998; e Hildur Guðnadóttir por “Coringa”, em 2020 — sendo que esta última é a única a vencer desde que a categoria foi unificada em 2000 (antes, havia várias divisões entre trilhas, como Melhor Música para Drama e Melhor Música para Comédia ou Musical).

Estúdios

Na era do streaming, foram os estúdios tradicionais que dominaram os indicados ao Oscar 2022 de Melhor Filme, respondendo por sete dos dez concorrentes. A Warner Bros. é o único que tem dois indicados: “Duna” e “King Richard: Criando Campeãs”.

Apesar disso, na distribuição geral das indicações, a Netflix é a líder isolada e disputa 27 estatuetas. O grupo Disney (que inclui a Searchlight) aparece em segundo lugar com 23. A Warner concorre a 16 prêmios.

Licorice Pizza (2021), de Paul Thomas Anderson - Divulgação
Licorice Pizza (2021), de Paul Thomas Anderson – Divulgação

Um dos mais antigos estúdios de Hollywood, a MGM (junto com a United Artists) conseguiu oito indicações, incluindo Melhor Filme com “Licorice Pizza”. O Leão não concorria à cobiçada estatueta desde 1988, quando venceu com “Rain Man”.

Já a Focus Features tem sete indicações, enquanto a Neon e a Apple têm seis — sendo que a Maçã conquistou agora sua primeira indicação a Melhor Filme com “No Ritmo do Coração”.

Outra curiosidade entre os dez indicados ao Oscar 2022 na categoria principal é que apenas cinco tiveram lançamento exclusivo em salas de cinema nos Estados Unidos: “Amor, Sublime Amor”, “O Beco do Pesadelo”, “Belfast”, “Drive My Car” e “Licorice Pizza”. Afinal, “Duna” e “King Richard” estrearam simultaneamente na plataforma HBO Max (assim como todos os títulos da Warner em 2021). Já “Ataque dos Cães” e “Não Olhe Para Cima”, da Netflix, e “No Ritmo do Coração”, da Apple, são lançamentos de streaming, apesar de terem sido exibidos em alguns cinemas também.

Mais curiosidades

Kenneth Branagh se tornou a primeira pessoa a ser indicada em sete categorias diferentes do Oscar ao longo da carreira. As duas mais recentes são para Melhor Roteiro Original e como produtor em Melhor Filme por “Belfast”. Ele já havia sido indicado como Melhor Diretor e Melhor Ator em 1990 por “Henrique V”, Melhor Curta-Metragem em 1993 por “Swan Song”, Melhor Roteiro Adaptado em 1997 por “Hamlet” e Melhor Ator Coadjuvante em 2012 por “Sete Dias com Marilyn”.

Steven Spielberg se tornou o primeiro cineasta indicado ao Oscar de Melhor Direção em seis décadas diferentes. Antes de concorrer este ano com “Amor, Sublime Amor”, ele foi indicado por “Lincoln” em 2013, “Munique” em 2006, “O Resgate do Soldado Ryan” em 1999 (venceu), “A Lista de Schindler” em 1994 (venceu), “E.T. – O Extraterrestre” em 1983, “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” em 1982 e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau em 1978.

Spielberg e Jane Campion se “enfrentaram” no Oscar em 1994, quando o norte-americano ganhou suas primeiras estatuetas: como produtor e diretor. Naquele ano, “A Lista de Schindler” venceu “O Piano” nas duas categorias. Coincidentemente, na ocasião o filme de Spielberg recebeu 12 indicações — o mesmo número de “Ataque dos Cães” agora.

Ari Wegner, de “Ataque dos Cães”, é apenas a segunda mulher indicada ao Oscar de Melhor Fotografia na história da premiação. Antes dela, somente Rachel Morrison concorreu à estatueta por “Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi” — e isso foi há bem pouco tempo atrás, em 2018. Wegner é apontada como favorita e pode se tornar a primeira fotógrafa vencedora do Oscar. Em 2021, ela também se destacou por seu trabalho em “Zola”, indicado ao Independent Spirit Awards e ao Gotham Awards.

Ariana DeBose pode se tornar a primeira atriz a vencer o Oscar por um papel já premiado pela Academia. Ela interpreta Anita no remake de “Amor, Sublime Amor”, personagem vivida por Rita Moreno no filme original. Moreno, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1962, também está no elenco da refilmagem, mas em um papel diferente. Mesmo se DeBose não vencer, ela e Moreno já entraram para a história como as primeiras atrizes não brancas e as primeiras mulheres a receberem uma indicação ao Oscar pelo mesmo papel. Até hoje, a Academia premiou apenas Marlon Brando e Robert De Niro por viverem Vito Corleone (em “O Poderoso Chefão” e “O Poderoso Chefão Parte 2”) e Heath Ledger e Joaquin Phoenix como o Coringa (em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “Coringa”, respectivamente).

Apesar de nenhum filme nacional ter sido indicado ao Oscar 2022, um cineasta brasileiro concorre na categoria Melhor Documentário de Curta-Metragem: ele é Pedro Kos, codiretor de “Onde Eu Moro” (Lead Me Home). O filme é uma produção norte-americana da Netflix e mostra o cotidiano de pessoas que vivem em situação de rua em Los Angeles, San Francisco e Seattle. Kos divide a direção do curta com Jon Shenk.

“A Pior Pessoa do Mundo” é o primeiro filme norueguês indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. A comédia dramática foi escrita por Joaquim Trier e Eskil Vogt e também concorre a Melhor Filme Internacional.

Dois casais de atores da vida real foram indicados ao Oscar 2022: Penélope Cruz (“Mães Paralelas”) e Javier Bardem (“Apresentando os Ricardos”), como protagonistas, e Kirsten Dunst e Jesse Plemons, ambos como coadjuvantes e pelo mesmo filme, “Ataque dos Cães”. Não é uma situação inédita: em 1940, por exemplo, Vivien Leigh venceu por “E o Vento Levou”, enquanto Laurence Olivier concorreu por “O Morro dos Ventos Uivantes”. O caso mais recente de casais indicados ocorreu em 2016, quando Alicia Vikander venceu por “A Garota Dinamarquesa” e Michael Fassbender competiu por “Steve Jobs”.

A cerimônia de entrega do Oscar Honorário (também conhecido como “Oscar pelo conjunto da obra”) será realizada em 25 de março. Este ano, os homenageados pela Academia são os atores Danny Glover (que nunca foi indicado ao Oscar) e Samuel L. Jackson (indicado por “Pulp Fiction”), a atriz e diretora Liv Ullmann (indicada por suas atuações em “Os Emigrantes” e “Face a Face”) e a roteirista Elaine May (indicada ao Oscar por “O Céu Pode Esperar” e “Segredos do Poder”).

Fontes de pesquisa: Variety, The Hollywood Reporter, IndieWire, MUBI, Criterion.

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