A 5ª edição da Semana de Cinema Negro, em Belo Horizonte, estreia em 16 de outubro com programação internacional gratuita que aborda temas como o genocídio na Palestina, o centenário de Frantz Fanon, a memória de Souleymane Cissé, além de contar com a primeira visita do cineasta norte-americano Charles Burnett à capital mineira.
O evento estabelece uma ponte entre passado e presente. Somadas aos debates, as sessões de clássicos restaurados das produções diaspóricas e africanas convidam o público a revisitar obras fundamentais do cinema negro, refletir sobre violações e resistência, e acompanhar trajetórias de cineastas que expandem o que significa ver — e ser visto — através da tela.
A curadoria internacional da edição foi pensada para “celebrações, homenagens, mas também de afirmações do que é preciso pensar e dar a ver no presente”, como define a pesquisadora Janaína Oliveira, uma das curadoras convidadas.
Charles Burnett: cotidiano, política e cinema
O cineasta Charles Burnett, nascido no Mississippi, formado pela UCLA, recebe atenção especial na Semana. Estreou com “O Matador de Ovelhas” (1977), filme que foi parte de sua dissertação de mestrado. Ele também dirigiu “O Casamento de Meu Irmão” (1983) e “A Aniquilação de Fish” (1990), entre outros. Burnett recebeu um Oscar Honorário em 2017.
Os três filmes serão exibidos em versões restauradas: “O Matador de Ovelhas”, no dia 18, às 17h; “O Casamento de Meu Irmão”, no dia 19, às 19h30; e “A Aniquilação de Fish”, no dia 20, às 17h. Todas as sessões ocorrem no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes.
Haverá também uma conversa com Burnett no dia 18, às 19h, mediada por Janaína Oliveira, para discutir seus filmes e trajetória. Já no domingo, às 17h30, o cineasta participa de uma sessão comentada do filme “Também Somos Irmãos” (1949), estrelado por Grande Otelo e dirigido por José Carlos Burle.

Outras sessões que ampliam o olhar
Experiência Vivida do Negro: Frantz Fanon 100 anos
No dia 22, às 17h, será exibido “Pele Negra, Máscaras Brancas” (1995), de Isaac Julien. O filme revisita vida e pensamento do psiquiatra e filósofo Frantz Fanon por meio de entrevistas, reencenações e arquivos, dialogando com brutalidades físicas e psicológicas do colonialismo.
Do Rio ao Mar: Palestina Livre
A sessão “Do Rio ao Mar: Palestina Livre” exibirá “Gazan Tales” (2024), de Mahmoud Nabil Ahmed. O longa tunisiano retrata a vida cotidiana em Gaza antes do início da guerra em outubro de 2023, mostrando pescadores, professores, pais, gestos simples de resistência em meio ao conflito. A exibição acontece dia 21, às 17h, no Cine Humberto Mauro.
Tributo a Souleymane Cissé
Souleymane Cissé (1940-2025), cineasta maliano, formou-se em Moscou, dirigiu no interior do Mali e fundou a produtora Les Films Cissé. Em 1987, seu filme “Yeelen” venceu o Prêmio do Júri em Cannes. O longa será exibido no encerramento da Semana de Cinema Negro, dia 24, às 19h, no Cine Santa Tereza. A sessão também homenageia o professor Mbye Cham, que colaborou com a Semana de Cinema Negro desde sua primeira edição.

Formação e práticas
A programação inclui cursos gratuitos, com inscrições obrigatórias. “Fotolivros africanos contemporâneos”, com Ana Paula Vitorio (nos dias 17, 18 e 20, das 10h às 13h, no Cine Humberto Mauro), aborda fotolivros realizados por pessoas fotógrafas e artistas africanas, mostrando contextos criativos e regionais. Já em “Introdução à preservação audiovisual digital”, com Débora Butruce (nos dias 22, 23 e 24, das 10h às 13h, no Instituto Cervantes), será discutido o gerenciamento de acervos digitais, obsolescência tecnológica e melhores práticas de preservação.
Todas as sessões e atividades da Semana de Cinema Negro têm entrada gratuita. A distribuição de ingressos se dá pela internet ou na bilheteria dos cinemas. Saiba mais informações no site oficial do evento.

