A trajetória de uma das atrizes mais marcantes do cinema nacional ganha destaque na CAIXA Cultural Rio de Janeiro. Em cartaz até o dia 26 de julho, a mostra “Filmes Com Aché: Uma Cristina do Cinema Brasileiro” oferece ao público um panorama da carreira da artista carioca, reunindo 24 produções que passam pelas telas desde a década de 1970 até os dias atuais.
Com curadoria de Rogerio Cavalcante e Castro e produção de Talles Reis, o evento promove exibições seguidas de debates. Os encontros reúnem grandes nomes da cultura brasileira para resgatar memórias de bastidores e discutir a produção cinematográfica nacional.
Destaques da programação e acessibilidade
Entre as atrações da mostra, há sessões especiais focadas em parcerias históricas da atriz, como o dia dedicado à colaboração entre Cristina e a cineasta Lúcia Murat, de quem Aché foi atriz e produtora em três longas-metragens. A programação também conta com sessões acessíveis para garantir a inclusão do público. Estão programadas as exibições com recursos de acessibilidade de “Quase Dois Irmãos” nesta quinta-feira (16/07) e de “Areias Escaldantes”, de Francisco de Paula, na sexta-feira (17/07).
Cristina Aché relembra com carinho os trabalhos que definiram sua carreira e a relação com os diretores: “Alguns diretores marcaram profundamente minha trajetória. Conheci Joaquim Pedro de Andrade no filme ‘Guerra Conjugal’ — com quem me casei, tive meus dois filhos e fiz três filmes. (…) Vivi a intensidade de dar vida à Sandra de ‘Amor Bandido’, sob uma direção precisa e aguçada de Bruno Barreto. Com o saudoso Cacá Diegues, habitei a pele da jovem empregada de ‘Chuvas De Verão’. Nelson Rodrigues chegou até mim pela Silene de ‘Os Sete Gatinhos’, dirigido com entusiasmo por Neville d’Almeida.”
A atriz também destaca a experiência em “O Judeu”, sob o comando de Jom Tob Azulay, definindo-o como “um projeto que guarda muitas histórias e ficará marcado sobretudo pela impressionante determinação de Azulay em realizar um filme com rigor estético”.

Formação para novos talentos
Na reta final do evento, entre os dias 24 e 26 de julho, a mostra sedia a segunda edição do Laboratório Roteiros do Arrabalde – Oficina de Criação Suburbana. Realizado em parceria com o Projeto Paradiso, o laboratório foca no desenvolvimento de curtas-metragens de ficção escritos por jovens roteiristas de até 35 anos vindos das periferias do Rio de Janeiro.
A atividade busca descentralizar a formação audiovisual na capital fluminense. A programação formativa inclui uma aula inaugural com a cineasta Ana Carolina (“Mar de Rosas”, “Sonho de Valsa”) e uma palestra sobre preparação de elenco ministrada por Bia Lessa. Além disso, os participantes selecionados passam por consultorias com Lúcia Murat, Luh Maza e a própria Cristina Aché, antes de apresentarem seus projetos em um pitching para uma banca de profissionais da área.
Quem visitar a retrospectiva também pode retirar gratuitamente o catálogo oficial da mostra, que reúne ensaios e textos inéditos de críticas, pesquisadoras e cineastas sobre o legado de Cristina Aché. O material também fica disponível para download no site da CAIXA Cultural.

