A 15ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema começa nesta quinta-feira, 28 de maio, estendendo-se até ao dia 10 de junho na cidade de São Paulo. Consagrado como o evento audiovisual mais importante da América do Sul focado em questões socioambientais, o festival oferece programação inteiramente gratuita e reúne 104 filmes de 27 países. A seleção deste ano destaca debates urgentes sobre as alterações climáticas, os conflitos no Oriente Médio, as lutas feministas, a saúde mental e a defesa de povos originários. Do total de obras exibidas, 59 são realizadas ou codirigidas por mulheres.
O evento conta com sessões presenciais no Reserva Cultural, no Centro Cultural São Paulo e em 28 espaços do Circuito Spcine. Para quem não está na capital paulista, as plataformas parceiras Itaú Cultural Play e Spcine Play vão disponibilizar parte da programação de forma gratuita após o encerramento do festival. Além das exibições, o público poderá acompanhar debates, oficinas, encontros e uma masterclass com o realizador internacional Sami van Ingen.
Homenagens e retrospetivas históricas
A grande homenageada desta edição é a produtora Zita Carvalhosa (1960-2025), figura central do audiovisual brasileiro e fundadora do Kinoforum. A mostra exibirá seis títulos produzidos por ela, incluindo os longas-metragens “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias, bem como os curtas “Distraída Para a Morte”, de Jeferson De, “A Alma do Negócio”, de José Roberto Torero, e “Onde São Paulo Acaba”, de Andrea Seligmann.
O Panorama Histórico será dedicado ao legado do Flaherty Film Seminar, de Nova York, assinalando o trabalho de Frances Hubbard Flaherty. Serão exibidos clássicos como “Nanook, o Esquimó” (1922), de Robert J. Flaherty, em versão restaurada, e o oscarizado “Harlan County: Tragédia Americana” (1976), de Barbara Kopple. O público também poderá conferir “Sombras Reveladas”, ensaio documental de Sami van Ingen sobre a trajetória de Frances Flaherty.

Grandes destaques internacionais
A abertura oficial apresenta o inédito “O Urso Inconveniente”, de Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman, vencedor do grande prémio do júri no Festival de Sundance. O circuito internacional traz ainda produções com grandes nomes de Hollywood nos bastidores, como “O Grande Lago Salgado”, realizado por Abby Ellis e com produção executiva do ator Leonardo DiCaprio, e “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, de Joe Wein, que conta com a produção executiva do cineasta Ang Lee.
A aclamada realizadora argentina Lucrecia Martel marca presença com “Nossa Terra”, o seu primeiro documentário, que examina o roubo histórico de territórios indígenas na América Latina. Outros destaques incluem o documentário político alemão “Desmascarando Elon Musk”, de Andreas Pichler, a imersão digital francesa “A Vida Real”, de Ekiem Barbier e Guilhem Causse, e os premiados “Rompendo Rochas”, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, e “Os Gêmeos de Gaza”, do realizador Mohammed Sawwaf.

Cinema brasileiro em competição
A produção nacional ganha força com 51 títulos selecionados para as mostras competitivas. A competição Territórios e Memória conta com 12 longas e 19 curtas-metragens. Um dos momentos mais aguardados é a estreia mundial de “Arquivo Vivo”, novo filme de Vincent Carelli (“Martírio”) que resgata os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias.
Também integra a disputa o documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, exibido no Festival de Berlim deste ano e premiado em Guadalajara. A competição de curtas conta ainda com “A Pele Do Ouro”, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, e o internacionalmente premiado “Replikka”, de Piratá Waurá e Heloisa Passos, focado na reconstrução de uma gruta sagrada no Xingu.
Por fim, as atividades paralelas cruzam o cinema com discussões críticas em mesas temáticas focadas em educação, ecofeminismo, crise climática e democracia, além do programa Ecofalante Educação, que levará exibições a escolas públicas e centros culturais. Confira a programação completa no site oficial.

