O Cinema do IMS Paulista exibe, durante os meses de agosto e setembro, uma mostra especial dedicada à obra de Larisa Shepitko (1938-1979). Apontada como uma das realizadoras mais importantes do cinema soviético de sua geração, a cineasta de origem ucraniana tem sua filmografia revisitada na capital paulista em sessões que incluem cópias restauradas em 4K.
A programação teve início com a exibição de “Asas” (1966), primeiro grande sucesso da diretora. O longa acompanha Nadezhda, uma ex-piloto de caça da Segunda Guerra Mundial que enfrenta uma rotina ordinária e insatisfatória no pós-guerra, assombrada pela nostalgia da liberdade dos voos. A obra ganha nova exibição no dia 22 de agosto (sábado), às 17h.
Ainda em agosto, o público pode conferir a exibição conjunta do média-metragem “A Pátria da Eletricidade” (1967) e do curta “Larisa” (1980), homenagem realizada por seu viúvo, o cineasta Elem Klimov. A sessão dupla ocorre nos dias 15 de agosto (sábado), às 19h, e 27 de agosto (quinta-feira), às 20h.

Inovação estética e a luta contra a censura
Nascida em Bakhmut, Shepitko consolidou uma trajetória marcada pela ousadia formal em um meio predominantemente masculino. Com o aclamado drama de guerra “A Ascensão” (1977), ela se tornou a segunda mulher a vencer o Urso de Ouro no Festival de Berlim, alcançando reconhecimento internacional comparável ao de Andrei Tarkovsky (“Solaris”, “Stalker”).
Sua carreira foi tragicamente interrompida em 1979, aos 41 anos, em um acidente de carro durante a preparação de “A Despedida” (1983) — projeto concluído postumamente por Klimov.
Lúcia Monteiro, professora adjunta do Departamento de Cinema e Audiovisual da UFF e autora de ensaio sobre a diretora para a revista do IMS, destaca a linguagem singular do acervo de Shepitko:
O cinema de Shepitko é sofisticado tanto em termos plásticos quanto narrativos e transita entre registros distintos, combinando momentos fiéis ao realismo socialista como outros de uma modernidade muito arrojada e, em determinadas cenas, alcança experimentações formais ousadas, próximas das vanguardas.

Ao integrar o programa Pioneiras do Cinema, a mostra reforça o legado de uma autora que retratou personagens femininas complexas e lidou com a opressão e a censura estatal sem abrir mão da ambiguidade artística.
A programação de setembro se completa com as exibições de “Você e Eu” (1971), único longa em cores dirigido por Shepitko, “A Ascensão” (1977) e “A Despedida” (1983). As datas e os horários das sessões do segundo mês serão divulgados em breve no site do IMS Paulista.

