A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta a mostra “Um Século de Metrópolis: Da Invenção do Futuro Às Ruínas do Sonho Moderno”. Em cartaz na Unidade Passeio até o dia 23 de agosto, o evento marca os 100 anos do lançamento de “Metrópolis” (1927), clássico expressionista dirigido por Fritz Lang que imaginou um futuro futurista e distópico exatamente para a nossa época.
Com entrada gratuita, a programação exibe 69 produções de diferentes nacionalidades e épocas em formato DCP, muitas delas em cópias restauradas vindas de acervos como a Fundação Murnau e as ci”Metrópolis” (1927), de Fritz Lang – Foto: Divulgaçãonematecas da Alemanha, Austrália e Armênia.
O grande destaque ocorre no dia 21 de agosto, às 17h, em uma exibição única do longa de Lang acompanhada por trilha sonora ao vivo executada pelo cantor e compositor Negro Leo.

Diálogos entre homem, máquina e urbanismo
A curadoria, assinada por Manoela Caldas e Pedro Henrique Ferreira, utiliza os eixos temáticos do longa original — progresso tecnológico, utopias urbanas, automação do trabalho e luta de classes — para criar pontes com obras fundamentais da história do cinema.
A seleção reúne títulos raros e aclamados em festivais internacionais, entre os quais “O Deserto Vermelho” (1964), de Michelangelo Antonioni, vencedor do Leão de Ouro em Veneza; “Mundo Por Um Fio” (1973), ficção científica de Rainer Werner Fassbinder; “Playtime – Tempo de Diversão” (1967), clássico de Jacques Tati; “História De Taipei” (1985), de Edward Yang; “Palermo ou Wolfsburg” (1980), de Werner Schroeter, vencedor do Urso de Ouro em Berlim; e “O Auge do Humano” (2016), de Eduardo Williams.
Filmes brasileiros também fazem parte da programação, incluindo os longas “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), de Luiz Sergio Person, e “Abrigo Nuclear” (1981), de Roberto Pires, e os curtas “Brasília, Contradições de uma Cidade Nova” (1967), de Joaquim Pedro de Andrade, “Indústria” (1969), de Ana Carolina, e “Megalópolis” (1973), de Leon Hirszman.
Para o curador Pedro Henrique Ferreira, a mostra busca fricções entre as diferentes épocas do audiovisual:
Nossa seleção partiu menos das influências literais que “Metrópolis” exerceu sobre outros filmes e mais de certos motes que o filme de Lang evoca: a metrópole como projeto urbanístico, a fábrica como espaço do trabalho e o operário como protótipo de classe, as relações entre humano e máquina. A curadoria procura observar o desenvolvimento destes temas ao longo destes cem anos para fornecer ao espectador material para pensar estes problemas.
A curadora Manoela Caldas complementa a reflexão ao comparar o otimismo do século XX com a atualidade:
Se o futurismo é consequência da crença no projeto de desenvolvimento tecnológico da modernidade, o presente é marcado por uma sensação de perda do futuro, ou, mais propriamente, por uma crise de imaginação do futuro, quando nos vemos diante das catástrofes causadas por esse mesmo projeto.

Atividades formativas e acessibilidade
A programação inclui um curso de três aulas ministrado pelo pesquisador argentino Fernando Martín Peña, responsável por localizar em 2008 a cópia considerada perdida que permitiu a restauração completa de “Metrópolis”. O evento oferece tradução simultânea para o português no curso e interpretação em Libras em três debates sobre os desdobramentos do filme na contemporaneidade.
O público pode ainda retirar gratuitamente um catálogo impresso com ensaios inéditos e um caderno de fotografias de bastidores da produção de 1927. As informações completas estão disponíveis no site da CAIXA Cultural Rio de Janeiro e no perfil da mostra no Instagram.

