Fala Sério! Porque nós também vemos filmes ruins!

Dado o número de porcarias em exibição atualmente nas salas brasileiras (me dei ao trabalho de ver cinco só esta semana), daremos início a uma nova série de posts: “Fala Sério!” O único objetivo é zoar com filmes que zoam com a nossa paciência, com a nossa inteligência e com o nosso dinheiro. Mas também vamos tentar ressaltar algum lado positivo dessas pérolas. Temos três para começar:

Efeito Borboleta 2 (The Butterfly Effect 2, 2006, EUA), dir.: John R. Leonetti

O bom: Gostei da cena em que o protagonista tem a primeira impressão de déjà vu no carro. Aliás, o ator principal, Eric Lively, é canastrão, mas até que se sai bem. Mas creio que essa impressão é por ele lembrar um pouco o Christian Bale. Ah, sim: Erica Durance está de parabéns pelos gêmeos.



O mau: O roteiro chinfrim de Michael Weiss desperdiça o conceito interessante do original em uma história repleta de clichês. Era possível fazer um filme inteligente, sim. O diretor John R. Leonetti faz um trabalho meramente burocrático, até mesmo no uso dos efeitos especiais. Uma imensa decepção… Ainda mais vindo do autor de “Mortal Kombat 2: A Aniquilação”, obra-prima absoluta.

O feio: Do meio do segundo ato até o final, o filme entra em queda livre, espatifando-se com violência em sua última cena, que dá a deixa para um “Efeito Borboleta 3”. Tenham dó. Já foi um sacrifício aguentar esse e eles ainda sugerem que vão fazer mais um? Vocês sabem que o filme foi lançado direto em vídeo nos EUA, né? Devia era ter sido lançado direto no lixo.

Maldição (An American Haunting, 2006, EUA), dir.: Courtney Solomon

O bom: A jovem Rachel Hurd-Wood, mais conhecida como a Wendy de “Peter Pan”. Continua uma graça a menina. Só faltou tomar umas aulas de grito com Jamie Lee Curtis.

O mau: Sustos repetitivos durante todo o filme, uma história que não se desenvolve e enrola o público. E que fantasma mais fajuto: o pior que ele faz é pendurar a menina no teto e esbofeteá-la. Oh! Grande coisa! O desfecho é inacreditavelmente idiota. E também é de se admirar que no crédito da trilha sonora conste “música original”. Original onde?

O feio: Ver atores do calibre de Sissy Spacek e Donald Sutherland em atuações tão vazias. A única explicação para terem feito esse filme é falta de grana (aliás, se vocês verificarem a ficha do Sutherland no IMDb, verão que ele anda mesmo precisando de dinheiro: nada menos do que 12 filmes em dois anos!).

Casseta & Planeta – Seus Problemas Acabaram!!! (2006, Brasil), dir.: José Lavigne

O bom: Se espremermos bem o bagaço da laranja, dá para se divertir com a atuação caricatural de Murilo Benício, que assume não ter noção de ridículo. Tem também o esconderijo do Seu Creysson: uma memorável referência ao clássico “Os Heróis Trapalhões – Uma Aventura na Selva”.

O mau: As piadas entram ao acaso no meio da história (exemplo podrão: Murilo Benício pede a Maria Paula sua pasta durante o julgamento; ela aparece escovando os dentes em pleno tribunal e dá a Benício um tubo de pasta de dentes… Ha-ha-ha). Outra coisa: fazer humor grosseiro e com subtexto sexual não é um problema – quando se tem talento. Basta ver o documentário “The Aristocrats”, no qual vários comediantes interpretam uma piada suja, pesada e “de sacanagem” com versatilidade e, principalmente, timing cômico – algo que anda carecendo demais aos Cassetas.

O feio: Sinceramente, dedicar esse filme ao Bussunda me parece mais uma ofensa do que uma homenagem. Tudo bem, foi o último trabalho do cara e seus amigos se viram na “obrigação” de fazer uma dedicatória. Mas, nem de longe, o humorista está em seu melhor momento nesse filme, nem mesmo no momento mais mediano de sua carreira – quanto mais seus colegas.

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