"O Bicho Vai Pegar": Mais do mesmo

Estréia na próxima sexta-feira, em todo o Brasil, o mais recente exemplar da atual safra de animações protagonizadas por animais selvagens. Este ano, tivemos praticamente um filme do gênero a cada três meses: “Selvagem”, em abril; “Os Sem-Floresta”, em julho; e, agora, “O Bicho Vai Pegar”.

Primeiro longa da Sony Pictures Animation, “O Bicho Vai Pegar” conta a história do urso Boog, que, depois de ter sido encontrado ainda filhote por uma guarda florestal e criado como um bicho de estimação, é levado para a floresta após aprontar uma bagunça na cidade. O problema é que a temporada de caça está prestes a começar e, para voltar para casa, Boog precisa contar com o auxílio do alce tagarela e monochifre, Elliot.



A trama é fraca e os roteiristas não se esforçam em se desviar da previsibilidade dela. Pior ainda, não demonstram possuir um pingo de criatividade na criação dos personagens. Afinal, Boog e Elliot não passam de uma versão com pelos e chifre de Shrek e Burro. Os outros bichos da mata também são variações de personagens de “Madagascar” (esquilos = lêmures) e “Os Sem-Floresta” (vide as gambás). E o caçador paranóico Shaw só pode ser irmão do exterminador de insetos de “Lucas – Um Intruso no Formigueiro”.

Como as crianças adoram ver o mesmo filme várias vezes, elas não deverão se incomodar com a falta de originalidade de “O Bicho Vai Pegar”. E se você também não liga para os clichês, há alguns momentos que valem a diversão, como ver os vários usos que um coelho pode ter em situações das mais diversas.

Do ponto de vista técnico, a animação enche os olhos e chega até mesmo a superar a da DreamWorks/PDI, que depois de “Shrek 2” não conseguiu mais impressionar. Há uma cena muito bem feita que se passa numa correnteza, onde a textura da água beira a perfeição e os pêlos dos animais parecem estar realmente molhados.

Não é raro vermos animações dirigidas por duas pessoas, mas “O Bicho Vai Pegar” contou com três: os estreantes Jill Culton e Anthony Stacchi e o mais experiente Roger Allers (o outro diretor de “O Rei Leão”, que não conseguiu fazer sucesso como o colega Rob Minkoff). Os roteiristas são dois: Steve Bencich e Ron J. Friedman (“O Irmão Urso”, “O Galinho Chicken Little”). Na verdade, o número de pessoas não deveria importar, se o resultado fosse plenamente satisfatório. Mas, em casos como este, é triste constatar que cincos pessoas juntas não são capazes de fazer o que um Brad Bird (“Os Incríveis”) faz sozinho.

Todos os grandes estúdios de Hollywood já estão com suas divisões de animação funcionando a pleno vapor, mas nenhum ainda conseguiu manter um nível estável de qualidade como a Disney/Pixar. E o segredo, pelo visto, está na escolha dos profissionais, muito mais do que na capacidade técnica de seus computadores.

O Bicho Vai Pegar (Open Season, 2006, EUA), dir.: Roger Allers, Jill Culton e Anthony Stacchi – 6 de outubro nos cinemas brasileiros

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