A Colheita do Mal

Não fossem duas seqüências no terceiro ato que contam com efeitos visuais mais elaborados, “A Colheita do Mal” poderia muito bem ser um daqueles suspenses sobrenaturais feitos direto para vídeo. É mais um título do filão de filmes de terror que explora temas bíblicos, agora tendo como premissa a passagem das Dez Pragas. Aliás, a explicação científica que a protagonista dá para o fenômeno é um dos poucos pontos interessantes do longa.

A presença de Hilary Swank no elenco deveria ser indicação de qualidade, afinal trata-se de uma atriz vencedora (e merecedora) de dois Oscars. Ela não está mal no papel de uma “desvendadora de mitos” chamada para investigar o que acontece em uma pequena cidade onde mortes e estranhos eventos são atribuídos a uma garotinha (AnnaSophia Robb, que vem tentando desbancar Dakota Fanning do posto de atriz mirim loira do momento). Swank faz bem o seu trabalho, mas fica claro que é um filme que ela escolheu só para colocar dinheiro na conta – o que não é a primeira vez que faz (todos se lembram de “O Núcleo”, certo?). Atitude longe de ser condenável, pois podemos esperar que ela se redima em seus próximos projetos.



O elenco também conta com Stephen Rea, desperdiçado em um papel secundário de padre, e o canastríssimo David Morrissey, que um dia ainda vai interpretar uma versão mais jovem de Liam Neeson (na cinebiografia de Abraham Lincoln que Spielberg está preparando, quem sabe?).

Stephen Hopkins volta a ser medíocre na direção depois do ótimo “A Vida e a Morte de Peter Sellers”. Quando quer assustar, recorre ao velho clichê de chegar sorrateiramente por trás do espectador e dar um grito em seu ouvido. Além disso, nas seqüências de maior agitação ele põe a câmera tão perto dos atores que fica difícil identificar o que acontece na tela.

Escrito pelos incríveis gêmeos Chad e Carey Hayes – a antítese perfeita da máxima “duas cabeças pensam melhor do que uma” (eles fizeram “A Casa de Cera”, não preciso dizer mais nada) – “A Colheita do Mal” ainda tenta colocar mais um “filho de satã” à solta no mundo do cinema. E disso já bastam Damien e o bebê de Rosemary…

nota 4 — não se culpe por não ver

A Colheita do Mal (The Reaping, 2007, EUA), dir.: Stephen Hopkins – em cartaz nos cinemas
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