Sem Reservas

Vamos direto ao ponto: “Sem Reservas” é um filme de mulherzinha. Porém, é um bom filme de mulherzinha. Possui elementos típicos de comédia romântica, como o cartaz dá a entender, mas sua força na verdade está no drama e no relacionamento entre as duas personagens principais: a chef de cozinha de Catherine Zeta-Jones e sua sobrinha, vivida por Abigail Breslin.

Os primeiros 20 minutos são um tanto pesados, já que se concentram na apresentação das personagens e elas passam por fases difíceis de suas vidas: Kate freqüenta terapia a pedido da chefe, irrita-se com fregueses ignorantes e ainda perde a irmã em um acidente; Zoe tem que lidar com a morte da mãe e se adaptar ao novo lar e à nova escola.



O também chef de cozinha Nick (Aaron Eckhart) aparece na trama para trazer um bocado de alegria a essas duas mulheres, e também à cozinha de Kate. Não que o local de trabalho dela seja depressivo, mas, sob sua rígida conduta, não há muito espaço para descontração entre os cozinheiros. É claro que a chegada de Nick incomoda Kate, mas esta é só mais uma relação que ela precisará incluir em sua rotina. E para isso, claro, terá que deixar de ser tão severa com suas regras pessoais.

Desde o início, você já saca qual é a do filme: mostrar a jornada de superação da protagonista em um momento em que várias coisas novas acontecem em sua vida. Você pode prever exatamente o que acontecerá até o final: ela deixará de ser tão durona, encontrará mais motivos para sorrir, saberá dividir com Nick o mesmo espaço de trabalho, e por aí vai. O que acontece é que se você estiver disposto a gostar do filme, ficará torcendo para que o roteiro consiga evitar todo tipo de clichê que uma história dessas pode apresentar.

A boa notícia é que a estreante Carol Fuchs se sai bem na adaptação do roteiro original da cineasta alemã Sandra Nettelbeck, que também dirigiu “Simplesmente Martha”, o longa de 2001 do qual “Sem Reservas” é uma refilmagem. Ainda que a trama seja previsível, Fuchs a desenvolve de forma natural, sem forçar situações que o público provavelmente já terá visto em filmes do gênero. Existem momentos em que ela não consegue evitar o lugar-comum (a briga do casal, a fuga da menina), e é verdade que Nick possui pouquíssimos defeitos para ser um ser humano crível, mas o arco de Kate e sua relação com Zoe são envolventes o bastante para não fazer o espectador se distanciar do filme. Quem viu “Simplesmente Martha”, perceberá que o final foi mudado e a ênfase maior na relação de Kate e Nick, para tornar a história mais romântica. Mas isto é Hollywood…

Para completar e tornar agradável a experiência de ver o filme, o experiente Scott Hicks (“Shine”, “Neve Sobre os Cedros”) mantém uma direção segura por toda a projeção, fazendo boa utilização de close-ups, ágeis montagens com planos de detalhe e ainda encontra lugar para alguns planos-seqüências. “Sem Reservas” não possui um visual barato, enlatado. É bastante atraente, na verdade – ainda que, depois de “Ratatouille”, tenha se tornado muito mais difícil filmar a rotina de uma cozinha de uma maneira mais interessante.

nota: 6/10 — vale o ingresso

Sem Reservas (No Reservations, 2007, EUA), dir.: Scott Hicks – em cartaz nos cinemas

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