Rapidinhas

Person (Brasil, 2007), dir.: Marina Person. A diretora consegue equilibrar o lado pessoal do documentário, presente nos filmes de família e em suas próprias recordações sobre o pai, o cineasta Luís Sérgio Person, ao adotar um distanciamento necessário para evitar que o filme se torne apenas uma homenagem sentimental. O que surpreende (negativamente) é que o material pesquisado não é tão rico quanto se espera. O maior proveito que o espectador que quer conhecer o cineasta Person pode tirar está nos trechos da entrevista feita pela TV Cultura nos anos 70. Fora isso, o filme acaba se limitando a uma retrospectiva que poderia funcionar melhor como extra de DVD. nota: 5/10 — veja sem pressa

Encontros ao Acaso (Come Early Morning, EUA, 2006), dir.: Joey Lauren Adams. Não se pode dizer que é um “filme de mulherzinha”, uma vez que a protagonista é durona (é ela quem vai embora na manhã seguinte sem se despedir, e não o homem como o clichê dita). Na verdade, trata-se de um drama sobre essa mulher embrutecida pelos reveses da vida no interior sulista dos EUA, que tenta encontrar um ponto de delicadeza em seus relacionamentos amorosos e familiares. Ashley Judd está em um ótimo papel nesta boa estréia da atriz Joey Lauren Adams (“Procura-se Amy”) como cineasta. nota: 6/10 — vale o ingresso

A Ponte (The Bridge, Reino Unido/EUA, 2006), dir.: Eric Steel. Grande parte do interesse pelo filme acaba residindo em uma curiosidade mórbida em ver como o diretor conseguiu capturar os suicídios reais de pessoas que se jogaram da ponte Golden Gate, em San Francisco, durante o ano de 2004. Steel não aparece para explicar seu método ou sua posição ética diante do filme que fez. E se é para discutirmos, cabe a pergunta: ele poderia (ou deveria) ter realmente feito alguma coisa para impedir a morte daquelas pessoas? O debate em torno dessa questão é mais interessante do que o filme em si, que acaba se concentrando muito nos depoimentos, vários deles pouco instigantes do ponto de vista documental ou antropológico. nota: 6/10 — veja sem pressa



O Grande Chefe (The Boss of It All, Dinamarca, 2006), dir.: Lars von Trier. Em seu mais novo experimento visual, von Trier utiliza um modo de filmar nada convencional (um computador foi usado para selecionar “aleatoriamente” os enquadramentos), dando a impressão de estarmos vendo o filme através de monitores de câmeras de segurança. Com o tempo, acostuma-se com a montagem, que picota até mesmo um simples diálogo. As interferências diretas do diretor soam infantis, mas seu senso de humor é brilhante na crítica às relações de interesses dentro de uma corporação. Uma curiosa mistura de “The Office” com Dogma 95. nota: 6/10 — vale o ingresso
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