O Banheiro do Papa

Ao contrário do que o nome indica, “O Banheiro do Papa” segue mais por um viés dramático do que cômico. Baseado em um episódio curioso, ocorrido em 1988 em uma pequena e pobre cidade uruguaia, o filme nos mostra o que aconteceu quando os moradores souberam que o Papa João Paulo II visitaria o país e faria uma benção no local. Eles preparam uma grande recepção, esperando que os visitantes brasileiros cheguem com fome à cidade. Assim, eles podem garantir uma renda extra muito bem-vinda.

Beto, o protagonista (interpretado por César Troncoso), é um desses moradores. Mas ele pensa diferente dos demais e tem a idéia de construir um banheiro público no quintal de casa e lucrar com isso. E é a tentativa dele de conseguir colocar sua pequena obra em atividade que toma conta da maior parte da narrativa.



Ainda que os diretores César Charlone (diretor de fotografia preferido de Fernando Meirelles) e Enrique Fernández flertem com o neo-realismo para fazer um retrato da situação precária daquela população, em alguns momentos a dupla carrega demais no drama. Em determinado ponto, eles chegam até mesmo a lembrar a memorável caminhada de “O Pagador de Promessas” – mas de uma forma um tanto subversiva, colocando, no lugar da cruz, um outro pesado objeto sobre os ombros do personagem principal.

No entanto, o que mais incomoda no filme são as cenas em que Charlone decide se tornar um Sebastião Salgado e fotografar a pobreza com beleza. De toda forma, “O Banheiro do Papa” possui momentos recompensadores (e engraçados), principalmente na dinâmica entre os membros da família do protagonista.

nota: 6/10 — veja sem pressa

O Banheiro do Papa (El Baño del Papa, 2007, Uruguai/Brasil/França)
direção: César Charlone, Enrique Fernández; com: César Troncoso, Virginia Méndez, Mario Silva, Virginia Ruiz, Nelson Lence, Henry De Leon, Jose Arce, Rosario Dos Santos, Hugo Blandamuro; roteiro: César Charlone, Enrique Fernández; produção: Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck, Serge Catoire, Fernando Meirelles, Elena Roux; fotografia: César Charlone; montagem: Gustavo Giani; música: Gabriel Casacuberta, Luciano Supervielle; estúdio: O2 Filmes, Chaya Films, Laroux-Ciné; distribuição: Imovision. 97 min
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