Shortbus

Há maneiras e maneiras de se falar de sexo no cinema. Existem aqueles diretores que preferem abordar o lado psicológico dessa atividade tão fundamental na vida de todo ser humano, mesmo que para isso tenham que se despir de qualquer pudor e filmar transas, seja entre casais ou em orgias. É o caso do mestre Stanley Kubrick em seu último filme, “De Olhos Bem Fechados”.

O jovem cineasta americano John Cameron Mitchell também filma sexo entre casais e em orgias em seu segundo longa-metragem, “Shortbus”, que está em cartaz em Belo Horizonte. Mas não há espaço para sutileza ou profundidade em seu trabalho. O diretor parece querer contar uma história através do sexo – uma função para a qual a pornografia foi criada para cumprir. Assim, ele se contenta em fazer barulho com cenas escandalosas, nas quais os atores aparecem transando sem concessões.

Os enredos que se encontram em “Shortbus” envolvem um casal homossexual que passa por uma crise e uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. Todos se encontram em um clube onde se pratica sexo livremente e, a partir daí, tentam resolver seus dilemas emocionais.



Curiosamente, o personagem de Tom Cruise em “De Olhos Bem Fechados” também passa por uma jornada semelhante. Mas se Kubrick, de um lado, fez um filme que supera em qualidade a curiosidade de ver o astro nu ao lado de sua então esposa Nicole Kidman, John Cameron Mitchell, no outro canto, faz um filme onde o espectador tem que se contentar apenas com sexo vazio.

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