Vingança

Fazer justiça com as próprias mãos. Está aí uma reação que muitas pessoas já tiveram diante de crimes bárbaros cometidos em nossa sociedade. No filme “Vingança”, atualmente em cartaz em Belo Horizonte, o diretor gaúcho Paulo Pons aborda o tema não pelo viés que habitualmente vemos nos filmes de ação. Ele sugere que seu protagonista, vivido por Erom Cordeiro, tem um lado mais humano e pensa duas vezes antes de retribuir o ato de violência a que sua noiva, interpretada por Bárbara Borges, foi submetida.

O casal se separa depois que ela é estuprada em sua cidade natal no Rio Grande do Sul. Miguel viaja para o Rio de Janeiro depois de combinar um plano de vingança com o irmão e o pai de sua companheira, que identificaram o autor do ataque. No entanto, ao se aproximar da irmã do estuprador para chegar até ele, o rapaz acaba vivendo uma aventura amorosa e reconsidera suas opções. Afinal, será que manchar as mãos com sangue vai trazer de volta a vida que ele tinha ao lado da noiva?

Se não fosse tão arrastado, totalizando quase duas horas de duração, “Vingança” poderia ter sido um bom filme. No entanto, o diretor e roteirista Paulo Pons valoriza demais a interação entre Miguel e Carol, vivida por Branca Messina, de “Não Por Acaso”. Ele acaba dando muita corda para uma trama novelesca e, quando o suspense surge, vai embora rápido demais.



De um modo geral, “Vingança” é um filme bem feito, com boa fotografia e uma trilha sonora toda especial, composta pelo ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos. Só é uma pena que Paulo Pons seja tão correto na direção e no roteiro. É válida sua tentativa de tentar subverter o gênero dos filmes de vingança. Mas ele acaba ficando apenas na boa intenção.

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