Te Amarei Para Sempre

“Te Amarei Para Sempre” é o tipo de filme do qual você quer gostar, mesmo que ele apresente vários problemas de roteiro. Muitos dos furos existem em função das viagens no tempo feitas pelo protagonista (Eric Bana) e a incapacidade do script em fornecer um conjunto básico de regras para que o “poder” ou “doença” daquele personagem se torne plausível.

Ficamos sem saber, por exemplo, o motivo de Henry voltar quase sempre para o mesmo lugar: a casa de campo onde sua amada, Clare (Rachel McAdams), vive até a adolescência e onde ele a conhece. Pelo menos, é nisso que o filme se concentra: em mostrar que ele “caiu” naquele local inúmeras vezes, embora possa, sim, ter viajado para outros lugares na mesma proporção. Mas o que dizer, então, sobre Henry ser capaz de visitar o futuro só a partir de determinado ponto de sua vida?



A figura do médico (Stephen Tobolowsky) que Henry procura, e que inclusive dá nome à sua desordem genética, poderia preencher as lacunas deixadas pelo roteirista Bruce Joel Rubin (de “Ghost – Do Outro Lado da Vida, filme que dialoga de certa forma com “Te Amarei Para Sempre”). Mas o doutor desaparece no meio da trama e não tem muita razão de existir, a não ser servir à necessidade momentânea de Rubin de resolver uma situação – e isso se repete várias e várias vezes.

Um caminho mais seguro a ser seguido seria ter feito de Clare a protagonista (afinal, o título original é “A Mulher do Viajante do Tempo”), pois assim a “doença” se tornaria um McGuffin, um pretexto, e o ponto principal seria o drama da garota que passou os anos condicionada a viver apaixonada por aquele homem. De qualquer forma, os buracos no roteiro não se convertem em armadilhas para o espectador – só tiram a possibilidade de se ter uma história mais amarrada e narrada com mais capricho, o que tornaria o filme uma surpresa ainda melhor na temporada.

Erros à parte, este é um bonito romance sci-fi, não só pela boa direção de Robert Schwentke (“Plano de Vôo”) e pelo ótimo elenco, mas por ponderar, sem pieguismo, sobre a condição dos sentimentos humanos perante a passagem do tempo e frente a esse tal de destino. Equipara-se a “Em Algum Lugar do Passado”, de 1980, com Christopher Reeve e Jane Seymour, só que o filme de Jeannot Szwarc possui um texto melhor, assinado pelo grande Richard Matheson, que adaptou o próprio livro. E outra diferença, esta mais a favor do longa de Schwentke, é que “Te Amarei Para Sempre” possui um toque de humor que ajuda a evitar o tom monocórdio que muitas vezes toma conta das histórias de amor.

nota: 6/10 — vale o ingresso

Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler’s Wife, 2009, EUA)
direção: Robert Schwentke; roteiro: Bruce Joel Rubin (baseado no livro de Audrey Niffenegger); fotografia: Florian Ballhaus; montagem: Thom Noble; música: Mychael Danna; produção: Dede Gardner, Nick Wechsler; com: Eric Bana, Rachel McAdams, Arliss Howard, Ron Livingston, Jane McLean, Philip Craig, Stephen Tobolowsky Hailey McCann; estúdio: New Line Cinema, Nick Wechsler Productions, Plan B Entertainment; distribuição: PlayArte. 107 min
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