Lars von Trier, o maior vencedor de Cannes

Lars von Trier sempre foi um sujeito polêmico, muito mais do que um bom cineasta. Sim, ele faz filmes provocantes e gosto muito de alguns deles, como “Dogville”, “Dançando no Escuro” e “Ondas do Destino”. Pelo que se ouviu e se leu a respeito de seu mais novo trabalho em Cannes, “Melancolia” tem tudo para ser mais um grande filme do dinamarquês. Mas mesmo antes de ser premiado (ganhou Melhor Atriz, para Kirsten Dunst, em Cannes) ou chegar ao circuito (previsto para 5 de agosto no Brasil), o filme já é mais conhecido como aquele que levou o cineasta a ser banido do festival.

Golpe publicitário ou apenas uma brincadeira de mau gosto, o fato é que von Trier conseguiu o que sempre procura quando aparece na frente dos repórteres: virar manchete. O problema é que desta vez ele pegou muito pesado na ironia e grande parte da imprensa, já intolerante com gafes de celebridades e com o próprio senso de humor bizarro do diretor, encontrou em suas declarações um prato cheio.

Mas por mais que o cineasta tenha passado dos limites nas piadas sobre o nazismo e o holocausto, a reação dos organizadores de Cannes certamente foi exagerada. A decisão de banir von Trier do festival não passou de uma formalidade sem efeitos práticos, que no fundo serviu mais como um prêmio para o cineasta. Além disso, “Melancolia” continuou no páreo pela Palma de Ouro e dizem que o próprio banimento serviu apenas para este ano.

Mesmo se o cineasta não voltar a ser convidado para apresentar seus futuros trabalhos nas próximas edições de Cannes, outros festivais como os de Veneza ou Berlim certamente acolherão de braços abertos o controverso von Trier – que sempre chama a atenção (como se Cannes não soubesse disso), numa estranha competição que ele mesmo trava com seus próprios filmes.

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