Os Agentes do Destino

A premissa é intrigante: e se nossas vidas fossem controladas por uma agência que traça um plano para cada um de nós e faz de tudo para não sairmos dos trilhos? E se o livre arbítrio fosse uma farsa?
A ideia de “Os Agentes do Destino” partiu de uma história do escritor de ficção-científica Phillip K. Dick, autor de outros contos que renderam grandes sucessos do cinema, como “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, “Minority Report – A Nova Lei” e “O Vingador do Futuro”. Mas diferente desses filmes, “Os Agentes do Destino” é uma ficção-científica que não utiliza efeitos especiais. Pelo menos, não aqueles efeitos exuberantes e futuristas. O máximo que se tem nesse sentido é o caderno dos agentes, que poderia perfeitamente ser uma espécie de “iPad da Moleskine”.
Todo o filme transcorre quase como um filme policial, onde o personagem de Matt Damon é perseguido por homens de chapéu e casaco, os tais agentes do título do longa. Eles tentam impedir que o protagonista comece um relacionamento com uma bailarina, interpretada pela atriz britânica Emily Blunt, de “O Diabo Veste Prada”, pois isso pode tirá-lo do destino de se tornar um influente senador.
O diretor é George Nolfi, que também assina o roteiro. Assim como Tony Gilroy, ele é um egresso da franquia “Bourne“, mas diferente do colega, que já realizou dois grandes filmes – “Conduta de Risco” e “Duplicidade” – Nolfi não demonstra ter um estilo peculiar na direção. Ele é sóbrio o bastante para conseguir contar a história sem recorrer a cenas desnecessariamente mirabolantes que poderiam facilmente ser inseridas no filme apenas para impressionar o público. Isso é bom por um lado, porque mantém o filme com os pés no chão. Por outro, acaba que “Os Agentes do Destino” se torna um pouco cansativo por Nolfi se apoiar em cenas de diálogo que tentam racionalizar demais o trabalho dos tais agentes, lembrando em vários momentos a obsessão mecânica de Christopher Nolan em “A Origem“.
Nisso, um problema que Nolfi cria é que ele decide explicar nos mínimos detalhes como os agentes atuam, mas se dá o direito de deixar no ar algumas coisas, como o motivo de a água dificultar o rastreamento pela agência ou mesmo o porquê da obrigatoriedade do uso do chapéu. Se ele quer explicar, deveria explicar tudo, ora bolas.
“Os Agentes do Destino” é um pequeno libelo sobre a burocratização da vida, direcionado a pessoas que não se permitem arriscar a felicidade. É um filme assim, assim, de mensagem pronta, que tem bons momentos, mas promete mais do que entrega. “O Show de Truman” é um filme mais eficaz trabalhando praticamente com a mesma proposta.
Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011, EUA)
direção: George Nolfi; roteiro: George Nolfi (baseado no conto de Philip K. Dick); fotografia: John Toll; montagem: Jay Rabinowitz; música: Thomas Newman; produção: Bill Carraro, Michael Hackett, Chris Moore, George Nolfi; com: Matt Damon, Emily Blunt, Michael Kelly, Anthony Mackie, John Slattery, Anthony Ruivivar, Terence Stamp; estúdio: Universal Pictures, Media Rights Capital, Gambit Pictures, Electric Shepherd Productions; distribuição: Universal Pictures. 106 min
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