O chão frio do palácio

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“Adeus, Minha Rainha” pode ser visto como a versão francesa de “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. Nada mais justo. Porém, a visão que o diretor Benoît Jacquot oferece sobre a monarca é muito mais séria e resumida que a versão moderna protagonizada por Kirsten Dunst. Até aí tudo bem, pois muita gente torceu o nariz para a estilização proposta por Coppola. No entanto, o que não pode ser dito de “Maria Antonieta” é que seja um filme vazio de significado. Já “Adeus, Minha Rainha” falha principalmente nisso: ele não tem muito a dizer.

A rainha é interpretada por Diane Kruger e é basicamente uma coadjuvante, aparecendo sitiada no palácio de Versalhes após a tomada da Bastilha. Em seu aposento, ela demonstra estar mais preocupada com a segurança da duquesa de Polignac, Yolande de Polastron (papel de Virginie Ledoyen), sua fiel amiga e companheira, com quem é mais do que sugerido que Maria Antonieta mantém uma relação amorosa.



Esse romance homossexual é o único ponto de estranhamento, já que nunca foi confirmado, apenas imaginado dada a proximidade entre as duas. E é também o que acaba justificando toda a narrativa, que se desenvolve pelo olhar da criada Sidonie, vivida por Léa Seydoux. É através dela que o diretor conduz uma espécie de estudo antropológico sobre a nobreza naquele momento de desespero, porém, como a criada tem uma clara afeição pela monarquia, você pode ficar sem entender o propósito do filme, a não ser contar uma história de amor não correspondido.

Não há crítica, não há apologia, o filme fica em cima do muro. E essa imparcialidade é que torna tudo sem sentido. É claro que há a beleza dos cenários, dos figurinos e das atrizes, mas pelo conteúdo, pelo que o filme quer nos dizer, o interesse é quase nulo.

Sofrendo ainda da opção estética na direção de Jacquot, que mexe demais a câmera, claramente buscando um ar documental, “Adeus, Minha Rainha” é um filme de época emocionalmente insosso, para dizer o mínimo. ■

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