Terceiro longa-metragem que Angelina Jolie dirige e, finalmente, ela convence como cineasta. Se nos seus dois primeiros filmes como diretora, “Na Terra de Amor e Ódio” e “Invencível”, ela se mostrou interessada em histórias de cunho social e pano de fundo histórico, agora ela narra um drama muito mais intimista e pessoal.

À BEIRA-MAR: A virtude da introspecção

bythesea01

Terceiro longa-metragem que Angelina Jolie dirige e, finalmente, ela convence como cineasta. Se nos seus dois primeiros filmes como diretora, “Na Terra de Amor e Ódio” e “Invencível”, ela se mostrou interessada em histórias de cunho social e pano de fundo histórico, agora ela narra um drama muito mais intimista e pessoal.

Jolie e Brad Pitt interpretam um casal em viagem ao litoral francês, na década de 1970, e que passa por uma crise no casamento. Ele é um escritor que enfrenta um bloqueio criativo e ela tenta se recuperar de um trauma recente. Esse trauma não é revelado ao público até o terceiro ato, o que pode deixar o espectador apreensivo sobre o porquê de a personagem de Jolie ser tão fechada, a ponto de rejeitar a aproximação do próprio companheiro e se tornar obcecada pelos hóspedes recém-casados do quarto ao lado, interpretados por Mélanie Laurent e Melvil Poupaud (há uma subtrama sobre voyeurismo aí que pode fornecer uma leitura complementar sobre a relação dos personagens principais).



Sabendo que Jolie passou por um grave problema de saúde recentemente, tendo retirado os dois seios para se prevenir do câncer de mama, percebe-se que ela transportou sua dor para o roteiro. Claro que não exatamente, pois o que a protagonista sofre é de outra natureza, mas há uma inegável relação do drama que mulheres na situação de Jolie ou de sua personagem podem enfrentar, sentido-se menos desejadas por seus parceiros e entrando em um profundo estado de depressão.

Não dá para saber se Jolie e Pitt passaram pelo mesmo drama conjugal, mas no fundo isso pouco importa e tenho minhas dúvidas se estão interpretando eles mesmos ou se usariam o filme para expor algo assim. O que vale é que ambos tiveram a compreensão e a sensibilidade necessárias para representar e, aí sim, ser um casal também fora das telas provavelmente ajudou na construção da dinâmica entre eles, principalmente quando se comunicam com o olhar e com o toque.

“À Beira-Mar” não é um filme fácil. Tem ritmo lento, pois retrata o tédio do casal enquanto eles buscam acertar a relação, mas Jolie é duplamente bem-sucedida no peso dramático que confere à situação de sua personagem, como diretora e atriz. É um filme introspectivo como tinha que ser, algo que cineastas como Michelangelo Antonioni e Sofia Coppola compreendem muito bem.

Vale destacar ainda a bela fotografia de Christian Berger, favorecida pela idílica paisagem da costa de Malta, e a trilha sonora de Gabriel Yared.  ■

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