Foto: Leo Lara/Universo Produção

Aquecimento CineOP: Tropicalismo é destaque na 13ª edição da mostra

De 13 a 18 de junho de 2018, a histórica cidade mineira de Ouro Preto recebe a 13ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Este ano, o evento adotou como foco a “Vanguarda Tropical”, as “Fronteiras do Patrimônio Audiovisual” e a “Escola como Espaço de Memória do Futuro”. Cada um desses tópicos será dedicado, respectivamente, às três temáticas no qual a programação tradicionalmente se estrutura: História, Preservação e Educação.

Foto: Leo Lara/Universo Produção

Temática Histórica

Na Temática Histórica “Vanguarda Tropical: Cinema e Outras Artes”, o propósito é levar à cidade histórica filmes e debates que convidem o público a compreender as relações do cinema brasileiro com seu passado a partir das imbricações com variadas outras formas de expressão.  E o momento mais intenso de interessantes misturas artísticas no Brasil se deu ao final dos anos 1960, na explosão do movimento tropicalista.

Este movimento tão rico, que se desenvolveu em um momento obscuro da vida política e social do país — o regime militar e a implantação do Ato Institucional N° 5 (AI-5), em 1968 — será o eixo central para se pensar o cinema multifacetado realizado na época. Entre os anos 1960 e 1980, músicos, artistas plásticos e escritores se aventuraram na criação de imagens e sons de maneiras singulares e completamente fora dos padrões e do mercado audiovisual.



Integram os filmes da Mostra Histórica, com curadoria de Lila Foster e Francis Vogner, alguns dos mais representativos nomes da contracultura local. Vários dos filmes vêm de arquivos pessoais, tendo raras exibições públicas desde suas produções. Entre eles, estão: “A Fila” (Kátia Maciel), “À Meia-noite com Glauber” (Ivan Cardoso), “Alma no Olho” (Zózimo Bulbul), “Light Works” (Iole de Freitas), “X” (Ana Maria Maiolino), “Terror da Vermelha” (Torquato Neto) e “O Demiurgo” (Jorge Mautner). A vanguarda tropical ainda se faz presente nos seminários da CineOP, na mesa “Fronteiras do Experimental: História, cinema e outras artes”, com a presença de Guiomar Ramos (professora e pesquisadora), Tiago Mata Machado (cineasta), Kátia Maciel (artista e pesquisadora) e mediação de Francis Vogner.

Homenagem

Dentro dessa proposta, a 13ª CineOP homenageará a atriz Maria Gladys, figura lendária no meio audiovisual brasileiro, nascida no Rio de Janeiro, em 1939, e que reúne, em 60 anos de carreira, todo o sentimento de uma geração de artistas marcada pela liberdade, performance e resistência ao status quo. Sua imagem e presença foi destaque do Cinema Novo e Cinema Marginal, nas décadas de 1960 e 1970. O grande papel em “Os Fuzis” (1964), de Ruy Guerra, lhe valeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim. Ao longo dos anos, trabalhou com Julio Bressane (“O Anjo Nasceu”, 1969; “Cuidado Madame”, 1970), Rogério Sganzerla (“Sem Essa, Aranha”, 1970), Neville D’Almeida (“Piranhas no Asfalto”, 1971), entre outros.

Maria Gladys. Foto: Folha de São Paulo

Mostra Contemporânea

A Mostra Contemporânea trará a recente produção de filmes realizados entre 2017 e 2018 que, embora sejam recentes, dialogam diretamente com as questões da Mostra Histórica e são herdeiros do experimentalismo e da vanguarda tropicalista. Tais como: “A Poeira não Quer Sair do Esqueleto”, de Daniel Santiso e Max William Morais; “Andále!”, de Petter Baiestorf; “Landscape”, de Luiz Rosemberg Filho; “sem título #4: apesar dos pesares, na chuva há de cantares”, de Carlos Adriano; e “O Desmonte do Monte”, de Sinai Sganzerla, e “Fevereiros”, de Marcio Debellian, sobre Maria Bethânia, figura central do Tropicalismo.

Temática Preservação e Temática Educação

A Temática Preservação “Fronteiras do Patrimônio Audiovisual” foi definida pelos curadores José Quental e Ines Aisengart Menezes. O caso de restauração brasileira a ser apresentado em 2018 é a obra do capixaba Orlando Bomfim Netto, primeiro cineasta a registrar em documentários o cotidiano cultural do Espírito Santo, a partir da década de 1970. “O Atalante” (1934), longa-metragem do francês Jean Vigo, também será exibido em cópia restaurada, sendo que, no dia seguinte à sua sessão, haverá um encontro que abordará o processo de restauro do filme com a presença da francesa Céline Ruivo, curadora da Cinemateca Francesa.

Outro convidado importante dentro dessa temática é o multiartista norte-americano Bill Morrison, que exibirá o longa-metragem “Dawson City – Tempo Congelado” (2016). Ele também ministrará uma masterclass com o tema “Processo de Criação, Pesquisa e os Arquivos Audiovisuais”, principal interesse de seus trabalhos.

Já na Temática Educação, “Escolas: Memória do Futuro” norteará os debates do Encontro da Educação: X Fórum da Rede Kino (Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual), além de trazer para a Mostra Educação trabalhos audiovisuais de estudantes, professores e cineastas produzidos em contexto escolar.

SERVIÇO
13ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto
De 13 a 18 de junho de 2018
Ouro Preto, Minas Gerais
Entrada gratuita
Programação e mais informações aqui.

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