"Uprising" (2021), de Steve McQueen - Foto: Divulgação

11ª Ecofalante exibe novos trabalhos de Steve McQueen e Vincent Carelli

A Mostra Ecofalante de Cinema chega à sua 11ª edição e exibe 35 filmes em sua competição latino-americana. O público poderá acompanhar a programação gratuitamente, de 27 de julho a 17 de agosto, com sessões online para todo o Brasil e presenciais em São Paulo.

A mostra competitiva vai premiar os melhores longas e curtas-metragens de temática socioambiental produzidos em países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e México. Entre as produções brasileiras selecionadas está “Lavra”, dirigida por Lucas Bambozzi, que fala sobre os desastres provocados pelo rompimento de barragens de mineração em Minas Gerais.

Lavra (2021), de Lucas Bambozzi – Foto: Trem Chic/Divulgação

Os outros longas nacionais que participam da Ecofalante são “A Mãe de Todas as Lutas”, de Susanna Lira, “A Praia do Fim do Mundo”, de Petrus Cariry, “Muribeca”, de Josefina Pérez-Garcia e Felipe Sigala, “O Bem Virá”, de Uilma Queiroz, “Panorama”, de Alexandre Leco Wahrhaftig, e “Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas.



Entre os curtas brasileiros selecionados para a competição latino-americana da Ecofalante está “Céu de Agosto”, da diretora Jasmin Tenucci, que foi premiado no Festival de Cannes em 2021. O evento realiza ainda o Concurso Curta Ecofalante, que é uma competição voltada para filmes produzidos por estudantes. As obras inscritas devem abordar temáticas relacionadas a pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU. 

Cineastas renomados e pré-estreias

Ao todo, a 11ª Ecofalante vai exibir 107 filmes, incluindo também pré-estreias, retrospectiva e homenagens. A mostra abre com o inédito “Animal”, mais recente obra do diretor e escritor francês Cyril Dion, numa sessão para convidados na Reserva Cultural, em São Paulo. Exibido no Festival de Cannes, o filme mostra como dois jovens ativistas fazem parte de uma geração convencida de que seu futuro está em perigo e o mundo pode ser inabitável daqui a 50 anos.

Entre os destaques do Panorama Internacional Contemporâneo estão os indicados ao Oscar “Ascensão”, de Jessica Kingdon, e “Escrevendo com Fogo”, de Rintu Thomas, além de “Mil Incêndios”, de Saeed Taji Farouky,  premiado no Festival de Locarno, e “Birds of America”, de Jacques Loeuille, selecionado para o Festival de Roterdã.

O Panorama promove ainda a exibição especial de três produções: a aclamada série “Uprising”, de Steve McQueen (“12 Anos de Escravidão”, “Small Axe”) e James Rogan, que faz sua estreia no Brasil no Ecofalante, e os inéditos e aguardados “Geração Z”, de Liz Smith, e “Searchers: O Amor Está nas Redes”, de Pacho Velez.

“Uprising” examina eventos passados no Reino Unido em 1981: o fogo de New Cross, que vitimou 13 jovens negros; o primeiro protesto de massas organizado por cidadãos britânicos negros, no seguimento desse fogo, que ficou conhecido como “Black People’s Day of Action” e que juntou 20 mil pessoas; e os motins de Brixton, uma série de confrontos entre jovens negros e a polícia metropolitana de Londres.

Uma sessão especial é dedicada ainda a “Adeus, Capitão”, o mais recente longa do cineasta Vincent Carelli. Com registros colhidos ao longo de várias décadas, o filme é o fecho da trilogia que já rendeu os elogiados e premiados “Corumbiara” (2009) e “Martírio” (2016).

Codirigido com Tatiana “Tita” Almeida, o novo longa-metragem reflete sobre os males da aculturação nas populações indígenas no Brasil ao apresentar 70 anos de registros do povo Gavião, partindo do primeiro contato dos então isolados indígenas com os “kupên” (brancos). “Adeus, Capitão” tem como protagonista o “Capitão” Krohokrenhum, que conta para suas netas a sua história.

Homenagens e retrospectiva

A Ecofalante presta homenagem a Jacques Perrin (1941-2022), com a exibição de quatro de seus sucessos, um como produtor (“Microcosmos”) e três como codiretor: “As Estações”, “Oceanos” e “Migração Alada”, este último indicado ao Oscar.

Já a Retrospectiva Sarah Maldoror (1929-2020) se dá no marco dos 50 anos de “Sambizanga” (1972), obra-prima vencedora de dois prêmios no Festival de Berlim. O filme, sobre o movimento de libertação angolano, é o primeiro longa-metragem filmado na África por uma mulher negra. O evento organizou uma programação em torno da cineasta reunindo alguns de seus títulos mais icônicos, que tratam, sob diversos aspectos, de questões referentes à história e cultura africanas ou de povos com fortes raízes naquele continente.

Sambizanga (1972), de Sarah Maldoror – Foto: Suzanne Lipinska

O clássico contemporâneo e marco do cinema socioambiental, “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio, também é celebrado pelo evento, por ocasião dos 40 anos de sua realização. O filme é um ensaio visual que narra o impacto destrutivo do modo de vida moderno no meio ambiente. Impressionou o público e a crítica por ser um retrato clarividente sobre as consequências da dita civilização sobre o planeta e a natureza, tudo sem precisar dizer uma palavra. Tem grande destaque ainda sua impactante trilha musical, assinada por Philip Glass, um dos compositores mais influentes do final do século 20.

Por fim, a programação de debates da Ecofalante conta com oito encontros que reunirão ativistas, especialistas e outros convidados especiais para discutir as seis temáticas do Panorama Internacional Contemporâneo: ativismo, biodiversidade, economia, emergência climática, povos & lugares e trabalho.

Vale muito a pena acompanhar a mostra. É de 27 de julho a 17 de agosto. Confira todos os detalhes no site oficial

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