Cine Humberto Mauro apresenta retrospectiva completa de Akira Kurosawa

O Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, realiza uma mostra dedicada à filmografia completa de Akira Kurosawa (1910-1998), apontado como um dos realizadores mais influentes da história do cinema. Em cartaz até o dia 16 de agosto, a programação reúne 30 longas-metragens do mestre japonês, oferecendo um panorama que atravessa seis décadas de produção artística. A entrada é gratuita, com ingressos disponibilizados antecipadamente na plataforma Sympla e na bilheteria do Palácio das Artes uma hora antes de cada sessão.

A mostra proporciona ao público da capital mineira uma imersão na obra do diretor por meio de clássicos como “Rashomon” (1950), “Os Sete Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985). Além das exibições, o evento conta com debates e sessões comentadas por críticos, pesquisadores e cineastas.

"Não Lamento Minha Juventude" (Waga seishun ni kuinashi, 1946), de Akira Kurosawa - Foto: Divulgação
“Não Lamento Minha Juventude” (Waga seishun ni kuinashi, 1946), de Akira Kurosawa – Foto: Divulgação

Legado universal

Nascido em Tóquio, Kurosawa iniciou sua carreira no cinema na década de 1930, estreando na direção com “A Saga do Judô” (1943). Ao longo dos anos, desenvolveu uma linguagem autoral que fundia referências da literatura ocidental, como Shakespeare e Dostoiévski, a elementos do teatro e da cultura tradicional japonesa.

Seu domínio técnico e narrativo se destacou tanto nos épicos de samurai quanto nos dramas urbanos contemporâneos, caso de “O Anjo Embriagado” (1948) e “Viver” (1952). A consagração internacional veio no início dos anos 1950 com “Rashomon”, marco da narrativa não-linear que abriu as portas do mercado ocidental para o cinema japonês.

A influência de Kurosawa ultrapassou fronteiras e moldou gerações de cineastas. George Lucas se inspirou abertamente em “A Fortaleza Escondida” (1958) para conceber “Star Wars” (1977), enquanto a animação “Vida de Inseto” (1998), da Pixar, tomou emprestada a premissa central de “Os Sete Samurais”. Já Spike Lee recentemente filmou “Luta de Classes”, cuja inspiração é o mesmo romance que Kurosawa adaptou em “Céu e Inferno” (1963).

"O Idiota" (Hakuchi, 1951), de Akira Kurosawa - Foto: Divulgação
“O Idiota” (Hakuchi, 1951), de Akira Kurosawa – Foto: Divulgação

Múltiplas fases

A seleção exibida em Belo Horizonte abrange desde os filmes noir do pós-guerra em parceria com o ator Toshiro Mifune — como em “Cão Danado” (1949) — até a fase madura do diretor nas décadas de 1980 e 1990, caracterizada por obras contemplativas e uso expressivo da cor, vide “Kagemusha, A Sombra de um Samurai” (1980), “Sonhos” (1990) e seu último trabalho, “Madadayo” (1993).

A programação inclui ainda a exibição do documentário “Uma Mensagem de Kurosawa” (2000), dirigido por seu filho, Hisao Kurosawa, que reúne materiais de arquivo e depoimentos sobre o processo criativo do cineasta.

Com curadoria de Vitor Miranda, programador do Cine Humberto Mauro, a mostra celebra a capacidade do diretor de transformar dilemas morais, honra e responsabilidade coletiva em experiências cinematográficas de alcance universal. A grade com os horários de todas as exibições pode ser consultada nos canais oficiais do Palácio das Artes e no site da Fundação Clóvis Salgado.

— Confira também: podcast Em Foco analisa os filmes de Kurosawa inspirados nos westerns