Rio

“Rio” é um filme sobre fazer amizade e conversar. É assim que ele começa, quando a protagonista, a fotógrafa e faxineira Roz, está tomando um café e é surpreendida por Stan, um aspirante a escritor metido a intelectual que se senta a sua mesa para puxar papo.

A abordagem do rapaz é própria de uma dessas idéias bacanas que só vemos serem bem executadas no cinema: ele propõe uma conversa de três minutos com um estranho para se apresentar e conhecer aquela pessoa. Terminado o tempo, ele vai embora. Naquele primeiro contato, Roz parece um pouco incomodada (o que é mais que compreensível) e permite que Stan deixe a mesa. Mas não demoram alguns dias e ela procura por Stan no mesmo café para estender a conversa. Daí em diante, entre afinidades e discordâncias, surge uma amizade magnética, regada a trocas de confidências, passeios descompromissados pelo campo, festinhas e visitas a galerias de arte.



Não há um enredo muito delineado em “Rio”, mas ao fim há a sensação de que uma história foi contada. É parecido com “Antes do Amanhecer”: um cara e uma garota que se conhecem e passam o tempo todo conversando. O filme é sobre isso: a relação entre os personagens. Soma-se a fotografia vistosa e a boa música e o resultado agrada bastante.

Em alguns momentos, percebe-se que o canadense Mark Wihak, que estréia na direção de um longa, está alfinetando esse pessoal chato que fica procurando um significado profundo e intelectualizado em tudo que vê. Bons exemplos são as cenas em que Roz e Stan debatem sobre arte e o jovem demonstra ser um chato arrogante. Isso para não falar na imaturidade (ou insegurança?) que o rapaz deixa transbordar diante de uma determinada situação.

O filme está claramente do lado de Roz, que prefere ver um lado mais simples das coisas, o qual ela pode experienciar, e não apenas refletir sobre. É assim que ela dá a sensação de ser uma pessoa muito mais vivida que Stan, por mais que ele possua uma ampla bagagem cultural. Acaba que essa é também a abordagem de Wihak: ao invés de buscar discussões de assimilação não-imediata, ele prefere investir na criação de uma identificação do público com os personagens, ao ponto de, no final, o espectador se importar com o rumo da relação dos dois amigos.

Com “Rio”, Wihak mostra ser um diretor a ser observado de perto. Sua direção é segura, sem gracinhas ou truques que se costuma ver em primeiros filmes, ainda mais quando o direcionamento é uma platéia jovem. Sua estréia é uma das mais gratas surpresas do INDIE 2008.

nota: 7/10 — vale o ingresso

Rio (River, 2007, Canadá)
direçõa: Mark Wihak; com Maya Batten-Young, Adam Budd, David Hoffos, Travis Neufeld, Nick Schenher; roteiro: Mark Wihak, Maya Batten-Young, Adam Budd; produção: Mark Wihak; fotografia: Patrick McLaughlin; montagem: Vanda Schmockel; música: Eric Chenaux, Michelle McAdorey; estúdio: Chat Perdue! 80 min
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