INDIE 2009: Um pequeno guia para não se perder


“Koma” (2009), de Naomi Kawase

Todo ano é um tiro no escuro atrás de outro. Aventurar-se na programação do INDIE é exercício para o cinéfilo destemido, que não tem medo de cair em uma armadilha numa sessão de um filme suspeito, pois sabe que alguma hora, em alguma sala, algo precioso pode ser encontrado.

É assim que funciona no carro-chefe da programação, a Mostra Mundial, que novamente traz uma seleção de filmes de novos diretores ao lado das pré-estreias badaladas. Entre estas, destacam-se três. Logo no primeiro dia, com promessa de formar uma fila que provavelmente vai se estender da bilheteria do Belas Artes até a Praça da Liberdade, será exibido o terror “Anticristo”, de Lars von Trier. As outras duas premieres que merecem destaque são “Bem-Vindo”, de Philippe Lioret, sobre um rapaz iraquiano que decide atravessar o Canal da Mancha a nado para reencontrar a namorada; e a antologia “Tokyo!”, em que três cineastas – Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho – retratam a capital japonesa, cada um a seu modo.



Para não ficar perdido entre as 121 uma opções do INDIE 2009, vale seguir de perto o programa INDIE Brasil, que traz alguns dos expoentes da produção independente brasileira. Confira “A Fuga da Mulher Gorila”, road movie musical que venceu a Mostra de Tiradentes deste ano. Não perca também “No Meu Lugar”, de Eduardo Valente, que foi exibido em Cannes e promete ser um “filme de favela” diferente do filão já conhecido das telas de cinema. Tem ainda terror à brasileira com “Morgue Story”, “Morro do Céu”, segundo longa-metragem de Gustavo Spolidoro (de “Ainda Orangotantos”), documentário musical com Lenine em “Continuação” e até filme sobre a história do skate no país.

Para quem gosta de música pesada, também vale pegar ingressos para os documentários “Guidable – A Verdadeira História do Ratos de Porão” e “Ruído das Minas”, que investiga a origem do heavy metal mineiro, que gerou bandas como Sepultura, Sarcófago e Overdose.

Por fim, talvez as principais atrações deste ano sejam as três retrospectivas programadas, que trazem não apenas a BH, mas ao Brasil, pela primeira vez, as obras completas de três cineastas que tem chamado a atenção no cenário cinematográfico contemporâneo. São eles, a japonesa Naomi Kawase, o francês Philippe Grandrieux e o filipino Brillante Mendoza. Este último, aliás, traz ao INDIE seu mais recente trabalho, “Kinatay”, um dos filmes mais polemizados (e elogiados) do Festival de Cannes deste ano. É a primeira vez que o filme será exibido no país, antes mesmo do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo. O que mostra a importância que o INDIE tem ganhado ao longo de seus nove anos de história com um autêntico grito de independência.

Faça sua programação – consulte os horários e salas no site oficial Quem não puder vir a BH, não se preocupe: de 17 a 24 de setembro, logo depois que acabar na capital mineira, a mostra viaja para São Paulo com as principais atrações da versão original. E este ano também com entrada franca em todas as sessões.

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