Patrick Swayze 1952-2009

A morte de Patrick Swayze, aos 57 anos, é um desses episódios que misturam tragédia – sofria de câncer pancreático, doença contra a qual lutou por cerca de dois anos – e bizarrice, graças ao circo que a mídia sensacionalista montou em torno do caso. Seu definhamento foi cronologicamente narrado por tablóides que anunciaram que ele estaria com os dias contados sem a menor cerimônia, ainda que ele tenha batalhado o quanto pôde, sem nem ao menos pensar em se aposentar (faz pouco tempo que foram ao ar episódios da série “The Beast”, em que ele atuava e que ficará marcada como seu último trabalho, assim como o filme “Powder Blue”, lançado direto em DVD). A exposição a qual Swayze foi submetido nesses últimos anos se assemelha ao que Michael Jackson teve que atravessar por bem mais tempo, tornando-se mera aberração para olhos curiosos.

Swayze nunca foi reconhecido como ator talentoso. Tinha presença e chamou a atenção, principalmente das mulheres, pelo rosto e o porte de modelo fotográfico em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, filme de 1990 que até hoje figura entre as maiores bilheterias registradas no Brasil. Mesmo assim, Swayze foi indicado a diversas premiações e chegou a concorrer três vezes ao Globo de Ouro.



Além de “Ghost”, Swayze foi lembrado no prêmio por “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, de 1987, no qual ele também utilizou o dom para a dança. Além de ator, era dançarino e coreógrafo e estrelou diversos espetáculos na Broadway, inclusive uma encenação do musical “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, fazendo o papel que no cinema foi de John Travolta.

A terceira indicação de Swayze ao Globo de Ouro, no entanto, foi por um personagem inusitado: uma drag queen na comédia “Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! – Julie Newmar”, 1995, de Beeban Kidron. Ao lado dele, vestidos de mulher, estavam Wesley Snipes e John Leguizamo. Quem diria, hein?

“Wong Foo” não é exatamente sinônimo de qualidade, assim como vários outros filmes em que Swayze trabalhou. Mas o ator fez, sim, alguns muito bons. Entre os melhores, está a enigmática ficção-científica “Donnie Darko”, de 2001, na qual ele interpreta um professor de atitudes suspeitas. O filme se passa nos anos 80 e a participação de Swayze funciona praticamente como uma homenagem do diretor Richard Kelly àquela época, que marcou o início da carreira do ator.

Outro filme bem divertido com Swayze é “Caçadores de Emoção”, no qual interpreta um surfista assaltante de bancos que forma uma inusitada parceria com o policial vivido por Keanu Reeves. E o longa, de 1991, é dirigido por uma mulher: Kathryn Bigelow, uma das poucas cineastas que se dá bem no gênero ação. É dela, aliás, o bastante elogiado “Guerra ao Terror”, que está cotadíssimo para o Oscar 2010.

Já que estamos falando de ação e guerra, vale recomendar um dos primeiros trabalhos de Swayze no cinema: “Amanhecer Violento”, de 1984. Dirigido por John Milius, responsável por “Conan – O Bárbaro”, o filme se passa durante uma hipotética Terceira Guerra Mundial, quando os Estados Unidos são invadidos por soldados comunistas. Uma refilmagem está sendo preparada e deve chegar aos cinemas no ano que vem.

Por fim, não podemos deixar de lembrar de “Vidas Sem Rumo”, de 1983, um filme pouco lembrado feito por um grande cineasta: Francis Ford Coppola. É um drama sobre gangues rivais, cujos integrantes são a nata da geração de atores à qual Swayze pertence: estão lá Matt Dillon, Rob Lowe, Emilio Estevez, Ralph Macchio (o eterno Karatê Kid), além de ninguém menos que Tom Cruise.

Mas se é por “Dirty Dancing” que Patrick Swayze será sempre lembrado, então terminanos esta breve homenagem com o videoclipe da música do filme, que o próprio ator canta: “She’s Like the Wind”.

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