Hooligans

“Hooligans” é um filme que possui mais melhores momentos do que piores. Só que um dos piores é forte o suficiente para comprometer todos os demais.
O primeiro longa-metragem da diretora alemã Lexi Alexander teve uma carreira curta nos cinemas estrangeiros, mas fez algum sucesso em pequenos festivais nos Estados Unidos e na Europa. Seu protagonista é Matt Buckner (Elijah Wood), um típico mauricinho de faculdade que é expulso de Harvard quando uma quantidade de cocaína é encontrada em sua posse. A droga não era dele, mas acaba servindo como passaporte para sua viagem a Londres, onde ele vai buscar o consolo da irmã, Shannon (Claire Forlani). Lá, Matt conhece Pete (Charlie Hunnam), cunhado de Shannon e membro de uma torcida organizada que mais parece uma gangue de rua. Pete é um hooligan e ensina maus modos a Matt, que vê nos atos de violência do grupo uma forma rendenção.
Até a metade do filme, quando somos levados ao meio daquele universo em que o personagem de Wood mergulha, o trabalho de Alexander é fascinante. É quando conhecemos a rivalidade e as motivações dos brigões. Mas daí para frente, o roteiro (escrito pela própria cineasta com a ajuda dos também estreantes Dougie Brimson e Josh Shelov) toma um caminho perigoso.
Primeiro, porque o foco do filme passa a priorizar as subtramas, como uma rixa entre famílias, o ciúme do brigão Bovver (Leo Gregory) e a frustração de Matt. É o necessário para que o radar comece a apitar: “Clichê! Clichê! Clichê!” Mas o que realmente complica a situação é que os roteiristas tentam justificar as ações dos hooligans. É como se eles nos dissessem que virar um deles fez bem a Matt, como se sua transformação tivesse valido a pena, apesar das mortes e tudo mais que aconteceu no percurso.
“Hooligans” não é uma crítica como era de se esperar, dado que o filme nos mostra que aqueles torcedores fanáticos não passam de vândalos que agem por uma causa ridícula e não dão a mínima para quem está a sua volta, seja um mero pedestre ou alguém da própria família. Eles são praticamente como drogados, embora os drogados tenham uma justificativa mais aceitável: eu consigo entender porque uma droga pode se tornar uma válvula de escape para alguém com problemas; agora, sair quebrando tudo por causa de um time de futebol? É algo de difícil de se compreender, mas para os realizadores do longa essa parece ser uma desculpa muito boa.
A questão toda é que “Hooligans” tenta fazer o espectador se sentir bem por Matt, mesmo vendo que ele não se arrepende de nada que viveu em Londres. Os outros rapazes, que já eram hooligans, realmente se motivavam pela paixão pelo time, mas Matt entrou naquela em busca de uma catarse. No fim, é como se ele saísse ganhando.
Pensando desta forma, o uso da trilha de rock nas cenas de briga deixa de ser “cool” e passa a dar a impressão de que as guitarras só ajudam a formar uma quase apologia à violência. Tudo bem, Alexander não precisava ser totalmente imparcial, mas muito menos deveria tomar parte do lado errado. “Hooligans” é um filme bem realizado. Mas que fique claro que suas intenções não são das melhores.
Hooligans (Green Street Hooligans, 2005, EUA/Reino Unido). Direção de Lexi Alexander. Com Elijah Wood, Charlie Hunnam, Claire Forlani, Marc Warren e Leo Gregory.
O DVD
O DVD não foi avaliado para esta resenha. De acordo com informações da California Filmes, estas são as características do disco:
Formato de tela: standard 1.33:1
Áudio: Dolby Digital Surround 5.1, no idioma Inglês; e Dolby Digital 2.0, nos idiomas Inglês e Português
Legendas: Inglês e Português
Extras: nenhum
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