Cadê o Coringa?

Passei os últimos dias me recuperando de uma gripe braba, com direito a sessões matinais de expectoração e uso de antibiótico sob prescrição médica. Mas também aproveitei a ocasião para ficar em casa e ver recém-lançado DVD de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Adquiri a edição dupla, que custa algo em torno de 5 reais a mais do que a simples, que vem pelada. Mas o dinheiro extra valeu mais pela camisa estampada com a cara do Coringa e a caneca que vieram como brindes, uma vez que o segundo disco com as atrações especiais não é lá grandes coisas.

A primeira decepção vem pela ausência total de extras sobre Heath Ledger e a preparação do Coringa. Não é possível que ninguém tenha documentado o trabalho dele nos bastidores. O que fica parecendo é que a Warner decidiu não explorar a imagem do ator após sua morte precoce no início do ano em sinal de respeito. Mas daí a privar todo mundo de saber como ele trabalhou no filme é um pouco demais, eu acho.



O único momento em que você tem a chance de ver algo de Ledger que não está no filme é na parte do making of em que Christopher Nolan explica como foi feita a explosão do Hospital de Gotham. Nessa ocasião, o diretor mostra uma cena que foi excluída, onde o Coringa é visto dentro do ônibus, sentado perto da janela, enquanto do lado de fora o prédio vai ao chão. Esta cena, Nolan diz, foi rodada em take único, já que não poderiam implodir o edifício duas vezes. E Ledger “ficou no personagem” o tempo todo, sem demonstrar curiosidade em olhar para o lado para ver o que estava acontecendo.

Mas antes o problema fosse apenas a ausência de material sobre o Coringa no DVD. Também não há uma informação sequer sobre a construção da maquiagem do Duas-Caras, um extra que seria tão óbvio de se colocar numa dita “edição especial”. Também faz falta uma faixa comentada em áudio, mas isso parece ser opção do Nolan, já que somente para o DVD do “Memento” ele gravou esse tipo de extra.

Aliás, praticamente todas as entrevistas no disco dois de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” são feitas apenas em áudio. Parece que a Warner foi meio descuidada na confecção dos vídeos e fez uma montagem de qualquer jeito com fotos e imagens gravadas no set. Mas depois descobri que esse mesmo making of é usado no Blu-ray para ser visto simultaneamente ao filme – você aperta um botão no controle remoto durante uma cena e descobre como ela foi feita. Ou seja: devem ter pensado que o espectador estaria mais entretido com o filme e não ligaria muito para o acabamento dos extras.

Mas para não parecer que é uma compra inútil, vale dizer que o making of de uma forma geral é bastante interessante para quem quer saber como as principais seqüências foram filmadas. Gostei principalmente de ver o método utilizado com as câmeras IMAX (aliás, é possível ver todas as cenas IMAX separadamente, no formato original) e a composição da trilha sonora (Hans Zimmer, em uma das poucas entrevistas em vídeo, aparece em sua “ilha de edição” e mostra como fez para criar o “som do Coringa”).

Também me chamou a atenção o preciosismo de Nolan para ter o máximo possível de cenas “reais”, sem CGI. Por exemplo: o caminhão capotando em uma avenida no meio da cidade realmente é um caminhão capotando em uma avenida no meio da cidade. A perseguição do Batmóvel na trincheira também é real, embora feita com miniaturas. Chris Corbould é o nome do sujeito que coordenou tudo (ele também trabalhou no “Batman Begins” e nos seis últimos “007”). Quer dizer: no post sobre “1941” eu reclamava da extinção de profissionais especialistas em efeitos especiais práticos, e então vejo que nem tudo está perdido. Aliás, é satisfatório ver que, nesse sentido, tivemos o Batman e o Indiana Jones este ano, resgatando essa tradição cinematográfica.

No mais, o DVD traz ainda aquela série de “falsos programas de TV” publicados na internet, como se fosse um telejornal de Gotham City. Bobagem. Quanto à apresentação do filme, a qualidade da imagem está bastante satisfatória e o som também. Já a crítica, caso você não tenha lido, está publicada aqui.

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