Mostra de Cinema de Tiradentes – Entrevista com Murilo Grossi

No dia 24 de janeiro, foi exibido na 12ª. Mostra de Cinema de Tiradentes o filme “Subterrâneos”, do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte. Ao fim da sessão, conversei com Murilo Grossi, um dos protagonistas do longa, sobre um sindicalista que abandona o trabalho para escrever um livro sobre o Centro Comercial de Brasília, onde encontra personagens bastante característicos.

Grossi, que estava ao lado de Rosanne Mulholland (atriz de outro filme de Belmonte, “A Concepção”), respondeu as minhas perguntas com muita descontração e simpatia. O resultado dessa conversa você acompanha logo abaixo.



As cenas que vocês dialogam com pessoas nas ruas me pareceram bem naturais. Vocês realmente pegaram pessoas que passavam nas ruas para gravar?

Murilo Grossi: Sim. Muitas vezes a gente chegava com a câmera bem de longe e a pessoa não via que estava sendo filmada. Era improvisado.

Rosanne Mulholland: E aquela cena da barbearia? Aquele diálogo é muito bom.

MG: Não. Aquele diálogo é um diálogo, uma cena produzida. Aquele é o João Paulo, que é ator.

RM: Eu não conheço ele. Ele é bom pra caramba.

MG: O João Paulo é ator, mas ali não é um diálogo em si, não é um diálogo inteiramente escrito. Nada no filme tem um diálogo inteiro. A gente recebia uma indicação de um diálogo, mas você tinha que fazer na hora. Era meio improvisado mesmo.

O prédio que a moça (Cibele Amaral) entra no final, e ela abraça a atendente da loja chorando, aquilo também é improvisado?

MG: É real.

A moça não sabia que ia ser abraçada?

MG: A gente entrava e falava: “A gente tá fazendo um filme. A gente pode filmar?” “Pode, mas o que é?” “Não… Ela vai só conversar com você.” “Tá bom.” “Ação!” Então, ela não sabia o que ia acontecer.

E para o ator também é inesperado, porque você não sabe como aquela outra pessoa vai reagir.

MG: É totalmente. O filme todo é em plano-sequência e nunca teve repetição. Entre os atores também funcionou assim. Era uma indicação de diálogo, mas não tinha nada pronto. Mesmo quando era uma cena só entre atores.

Como surgiu sua participação no filme?

MG: Eu era parceiro do Zé (José Eduardo Belmonte) desde o primeiro filme dele. O primeiro curta-metragem do Zé, que foi meu primeiro filme também. Aí eu fiz todos os curtas-metragens do Zé. A gente já tinha uma longa história juntos. Quando ele foi fazer esse longa foi meio que um esforço de um grupo de pessoas para fazer um longa. E aí, nos juntamos e fizemos. Já é uma consequência de um trabalho juntos.

Como foi rever o filme seis anos depois?

MG: Muito bom! Há muito tempo eu não via o filme e a gente não sabia como estava o som. No começo, a imagem… Apareceram uns riscos na tela. Eu fiquei preocupado, mas correu tudo bem. A recepção do público em Tiradentes é sempre muito boa. Foi assim em 2004? Acho que foi em 2004 quando exibimos o filme aqui pela primeira vez, e agora também foi ótimo. Um público enorme, muito inteligente e receptivo.

É bem diferente do público nas salas comerciais…

MG: Completamente diferente. Aqui tem uma coisa bem legal que eu estou adorando. É um “clima” diferente.

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