ELES VOLTAM

ELES VOLTAM

Fábula moderna, mas não apenas isso, “Eles Voltam” encanta pela combinação da delicadeza da protagonista (Maria Luiza Tavares) e a imprevisibilidade de sua jornada, uma espécie de viagem a um mundo estranho, um espelho do “mundo real” da personagem (tal a inversão da realidade a qual está acostumada) e onde ela também consegue enxergar projeções de sua vida futura, caminhos que ela pode seguir, mas também aqueles dos quais não terá como desviar. Os contrastes sociais que o filme discute não levantam uma bandeira, mas sim uma questão necessária: a falta de vivência destes adolescentes que não sorriem, que passam a época das descobertas aprisionados em condomínios, superprotegidos pelos pais e condicionados à tecnologia. Marcelo Lordello, em seu filme de estreia, dirige com sensibilidade e objetividade, evoca poesia com o olhar. E como roteirista, ele escolhe a hora certa de preencher as lacunas do enredo (por que os garotos foram deixados na estrada? O que aconteceu com os pais? Onde está o irmão?) e quais podem ser deixadas em branco. ■

Nota: 8/10 — para ter na coleção



ELES VOLTAM (2012, Brasil) — direção: Marcelo Lordello; roteiro: Marcelo Lordello; fotografia: Ivo Lopes Araújo; montagem: Eduardo Serrano; música: Caçapa; com Maria Luiza Tavares, Geórgio Kokkosi, Elayne de Moura, Mauricéia Conceição, Jéssica Gomes de Brito; distribuição: Vitrine Filmes. 100 min
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