“Perdido em Marte” é uma adaptação do livro de ficção científica de mesmo nome, escrito por Andy Weir e publicado em 2011. Mas o filme pode dar perfeitamente a impressão de que é baseado em um caso verídico, mesmo se passando em um futuro não muito distante, quando a NASA já consegue realizar missões tripuladas ao Planeta Vermelho.

PERDIDO EM MARTE: Trabalho em equipe

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“Perdido em Marte” é uma adaptação do livro de ficção científica de mesmo nome, escrito por Andy Weir e publicado em 2011. Mas o filme pode dar perfeitamente a impressão de que é baseado em um caso verídico, mesmo se passando em um futuro não muito distante, quando a NASA já consegue realizar missões tripuladas ao Planeta Vermelho.

A sensação de realismo que o longa nos passa vem, em parte, do material original, que Weir concebeu a partir de intensa pesquisa sobre astronomia, além de suas próprias experiências com a ciência da computação e com a profissão do pai, um físico de partículas. Mas o crédito também deve ser dado ao roteirista Drew Goddard. Ele escreveu “Cloverfield – Monstro” (2008) e “Guerra Mundial Z” (2013), que também são longas que possuem um realismo muito forte, por mais que sejam histórias fantasiosas de homens que lutam contra criaturas (um anfíbio gigantesco e uma horda de zumbis).



No caso de “Perdido em Marte”, o protagonista, o astronauta Mark Watney (papel de Matt Damon), não tem que combater alienígenas. Ele se encontra solitário no deserto marciano, após uma tempestade obrigar sua equipe a levantar voo para se salvar. O inimigo de Watney não tem forma ou rosto, mas é cruel e implacável, e todos nós também temos que enfrentá-lo no dia-a-dia: a passagem do tempo. Afinal, até que o astronauta consiga entrar em contato com a Nasa para avisar que está vivo e a agência enviar uma equipe de resgate para trazê-lo de volta, o tempo se torna o principal obstáculo para sua sobrevivência, já que ele conta com recursos escassos e que podem acabar antes do prazo. Além disso, uma falha, por menor que seja, pode representar um prejuízo enorme, não só para ele, mas também para a Nasa, que investe muito tempo e muito dinheiro na elaboração da operação de resgate, e para os colegas de Mark, que estão na estação espacial e precisam decidir se irão prolongar ainda mais o tempo e a distância de suas famílias, tudo para salvar uma pessoa.

“Perdido em Marte”, além de um filme de sobrevivência, é também um filme sobre compaixão. E por mais que seja centrado no drama de um astronauta sozinho em Marte, é uma história sobre trabalho em equipe. Curiosamente, é também um filme bastante otimista, e vindo de Ridley Scott, um cineasta que já nos brindou com “Alien: O Oitavo Passageiro” (1979) e “Blade Runner: O Caçador de Andróides” (1982), outras excelentes ficções científicas, também sobre personagens solitários, mas que são sombrias, como a maior parte da obra do cineasta, por sinal.

O talento e o carisma de Matt Damon também são fundamentais para o sucesso do longa. Com bom humor, o ator constrói um personagem verossímil, e acreditamos que ele é mesmo capaz de fazer tudo o que nos mostra para sobreviver naquelas condições hostis. Por fim, vale ressaltar que a personagem de Jessica Chastain, líder da equipe de astronautas, reforça seu já respeitável currículo e também a recente galeria de papéis femininos fortes e de destaque numa grande produção hollywoodiana. ■

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